Qual é o país mais protecionista do mundo?

Em plena guerra comercial, que ameaça o crescimento mundial, Estados Unidos, China e União Europeia ameaçam com a imposição de novas tarifas às importações. Quem é o país mais protecionista do mundo?

Os Estados Unidos impuseram tarifas de 25% sobre as importações de aço da União Europeia e da China. Bruxelas impôs tarifas de 25% às importações de sumo de laranja norte-americano. A China decidiu aumentar para 25% as taxas sobre as importações de soja norte-americana. O México impôs taxas de 20% sobre as importações de batatas dos EUA.

A lista continua, e continua… A guerra comercial é já apontada pelas instituições internacionais como um dos riscos mais sérios ao desempenho da economia mundial. O Fundo Monetário Internacional antecipa um corte de 0,5% no crescimento mundial até 2020, “se as atuais ameaças de política comercial se materializarem e, em resultado, a confiança empresarial cair”. “A maior ameaça de curto prazo ao crescimento mundial é a de uma escalada das tensões comerciais, com efeitos adversos na confiança, preços dos ativos e investimento”. “Os desequilíbrios globais das balanças comerciais vão agravar-se face ao crescimento relativamente elevado da procura nos Estados Unidos, possivelmente exacerbando as fricções”, antecipa o Fundo.

O Banco Mundial também elege as restrições entre as maiores economias como uma ameaça ao crescimento económico global. E os analistas da Economist Intelligence Unit (EIU) consideram que a disputa comercial entre a China e os Estados Unidos vai ensombrar o comércio mundial em 2018, com o ritmo de crescimento do comércio a abrandar entre 2019-2022, para uma média de 3,5% ao ano. O acordo entre o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o presidente norte-americano, Donald Trump, poderá ajudar a travar este abrandamento, tal como o retomar das negociações esta terça-feira, entre a China e os Estados Unidos.

Portugal não vai ficar imune. Segundo o Banco de Portugal, se a guerra escalar Portugal pode esperar um impacto negativo acumulado de 2,5% sobre o PIB nacional, o que representaria o anulamento do crescimento económico lusitano — a mesma instituição prevê que, em 2019, Portugal cresça 1,9%, um abrandamento face aos 2,3% previstos para este ano e, em 2020, 1,7%.

Mas com tantas novas tarifas comerciais em vigor e quase outras tantas que ameaçam vir a ser impostas — por exemplo, a China está a estudar taxar as exportações de produtos de aço inoxidável da UE, Japão, Coreia do Sul e Indonésia por considerar que estão a ser levadas a cabo práticas de dumping — qual é afinal o país mais protecionista do mundo?

O ECO fez a pergunta à Organização Mundial do Comércio (OMC) e, de acordo com as estatísticas oficiais da instituição, são as Bahamas.

E como se pode tirar essa conclusão? As médias são calculadas com base nas tarifas efetivamente aplicadas, ou seja, uma média de todos os diferentes tipos de tarifas nos diferentes tipos de bens. Mas se a metodologia utilizada for outra, — por exemplo, as tarifas máximas com que os diferentes países membros se comprometeram em adotar com a OMC — então o campeão do protecionismo passaria a ser o Bangladesh.

Tendo em conta que as tarifas efetivamente aplicadas parecem ser a bitola mais correta a seguir fica a curiosidade: em que lugar estão os Estados Unidos, a China ou a União Europeia que, mutuamente, se acusam de protecionismo? Mais uma vez as estatísticas oficiais da OMC dão a resposta: a China surge em 63º lugar, a União Europeia em 111º e os Estados Unidos em 126º. Mas vejamos como é composto o top 10 dos países mais protecionistas:

Para se perceber a grande diferença entre aquilo que os países se comprometem a fazer junto da OMC e o comportamento que efetivamente adotam basta ver o top 10 dos países que têm taxas mais elevadas de acordo com aquilo que se comprometeram a aplicar:

As estatísticas da OMC permitem ainda tirar outro tipo de conclusões. Por exemplo, saber quais os países que aplicam as tarifas mais elevadas do mundo em determinados produtos. A saber, são sete os que têm em vigor taxas superiores a 1000% sobre as importações: Egito, Zâmbia, Nauru, Fiji, Suíça, Palau e ilhas Cook. A seguir surge a Malásia com tarifas de 972%.

 

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