Catarina Martins: “Tenho de concluir que o primeiro-ministro não estava informado”

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) falou aos jornalistas sobre a Taxa Robles, afirmando que "as negociações têm corrido bem com o Ministério das Finanças".

Num dia marcado pela proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda (BE) para travar a especulação imobiliária, Catarina Martins adiantou aos jornalistas que “as negociações têm corrido bem com o Ministério das Finanças“, não compreendendo, por isso, as declarações de António Costa, ao dizer que esta medida foi “feita à pressa”. “Acredito, e pode acontecer que, num processo negocial, o primeiro-ministro não acompanhe todos os dossiê“, afirmou.

“Esta é uma proposta que estamos a trabalhar desde maio, e que desde junho que o senhor ministro das Finanças conhece”, começou por explicar a coordenadora dos esquerdistas. “Nós sabemos que temos um problema de bolha especulativa no imobiliário e esta parece-nos uma proposta sensata, que está a ser negociada nos seus termos exatos e as negociações têm corrido bastante bem”.

Questionada sobre as declarações de António Costa, que considera que a proposta do parceiro parlamentar foi “feita à pressa” e que duplica um imposto que já existe e que é suficiente, Catarina Martins comentou: “Ouvi as declarações e tenho que concluir que, eventualmente, o primeiro-ministro não estava informado“.

“Quero acreditar que, eventualmente, o primeiro-ministro, que acompanha muitos dossiês, não terá ainda falado com Centeno sobre esta matéria. As negociações sobre o Orçamento do Estado para 2019 são complexas e acho que ganhamos muito mais em trabalhar as propostas sensatas, que correspondem a necessidades do país e fazermos essa negociação do que propriamente estarmos a ser tremendistas e anunciar fechos de processos que até estão a correr bem“, disse.

“No momento em que há uma bolha imobiliária, é uma forma de encontrar uma medida pela via da fiscalidade de travar essa especulação que é uma das formas pelo que o preço das casas tem vindo a subir”, continuou, adiantando que o partido “deve continuar a fazer este trabalho” sobre o imobiliário, para além de outras medidas nas quais tem estado a trabalhar. “Estamos a trabalhar na questão da habitação em várias frentes“, disse.

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