Transferências imediatas chegaram. Mas qual é a diferença para o MB Way?

As transferências imediatas permitem encurtar, para dez segundos, o tempo para realizar uma transferência bancária. Isso já era possível de com o MB Way, mas há diferenças entre as duas ferramentas.

Os portugueses dispõem de uma nova funcionalidade que permite tornar quase instantânea a transferência de dinheiro de uma conta bancária para outra. Tratam-se das transferências imediatas, que vieram encurtar para dez segundos o limite de tempo necessário para que o dinheiro esteja disponível na conta do destinatário, em qualquer hora ou dia da semana.

Trata-se uma mais-valia face às transferências interbancárias tradicionais que demoram, no mínimo, um dia para que o dinheiro chegue à conta do destinatário. Se pelo meio houver um feriado ou um fim de semana, maior será ainda o tempo de espera.

Esta funcionalidade não é, contudo, inédita em Portugal. O MB Way já permite fazer algo semelhante. Mas há alguns pontos que distinguem os dois tipos de transferências. Conheça-os em nestas cinco respostas.

Quem pode utilizar?

A realização de transferências “instantâneas” através do MB Way já é possível desde 2015, mas só funciona entre clientes que utilizem a ferramenta. Mas também entre cartões da rede Multibanco, gerida pela SIBS, dos bancos aderentes.

Neste momento, há 14 bancos aderentes: ActivoBank, Bankinter, BBVA, Best Bank, BPI, Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo, Caixa de Crédito Agrícola, Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Montepio, Novo Banco, Novo Banco dos Açores, Popular e Santander Totta.

Já no que respeita às recentes transferências imediatas, o sistema desenvolvido também pela SIBS, permite que estas operações se realizem entre contas de qualquer banco, desde que este seja uma das instituições aderentes. Entre os cinco maiores bancos, BCP, Santander e BPI já aderiram à ferramenta, sendo que o banco liderado por Miguel Maya ainda não a disponibiliza. Entre as instituições mais pequenas, pelo menos o Bankinter e o Montepio também já disponibilizam transferências imediatas.

Onde está disponível?

As transferências interbancárias através do MB Way só podem ser feitas através e entre telemóveis de utilizadores da ferramenta, bastando para tal fazer o download da aplicação mobile.

No caso das transferências imediatas, as opções são mais alargadas. Podem ser feitas através da internet — banca online e mobile –, mas também há instituições que facultam a sua realização ao balcão ou mesmo através do contacto telefónico com um operador.

Há diferença na velocidade?

A velocidade é uma das principais vantagens tanto das transferências imediatas como das efetuadas com o MB Way. A “bandeira” de promoção dos serviços é a mesmo.

Nas transferências imediatas, o tempo de execução não pode ultrapassar dez segundos. Este é o intervalo de tempo desde que o cliente insere os dados do destinatário (NIB/IBAN), o prestador de serviços de pagamento do ordenante confirma que estão cumpridos todos os requisitos necessários à execução da operação e o momento em que o beneficiário tem acesso aos fundos.

Também as transferências realizadas através do MB Way estão disponíveis praticamente no imediato. Para efetuar uma transferência MB Way apenas precisa de escolher na app um dos cartões que tem associado ao serviço e selecionar a opção “Transferências”. De seguida, indicar o número de telemóvel do destinatário, sendo que quase automaticamente o dinheiro pode estar disponível nessa conta.

Montantes a transferir têm limites?

Uma das maiores diferenças entre as duas ferramentas está nos montantes que podem ser transferidos e no número de operações que se podem realizar.

No caso das transferências imediatas há um limite máximo de 15.000 euros por operação, sendo que os prestadores de serviços de pagamento podem definir um valor limite inferior, “por motivos comerciais e de gestão de risco”, segundo explica o Banco de Portugal. Não há ainda limite ao número de operações que são permitidas.

No MB Way, os valores estipulados podem variar de banco para banco, mas também há tetos. Os limites definidos no desenho desta ferramenta, quer para receber, quer para enviar transferências é de 750 euros por operação, sendo que o valor global de operações recebidas e enviadas não pode exceder 2.500 euros por mês. Não é possível ainda realizar mais do que 20 transferências por mês.

Há diferenças nos custos?

Nos custos associados está outra das principais diferenças entre os dois mecanismos de transferências. Na generalidade das situações, optar pelas transferências imediatas sai mais caro. O respetivo custo pode chegar a ser dez vezes o do MB Way.

Uma ronda pelos preçários dos bancos permite ver que as transferências através do MB Way podem ser isentas, havendo várias instituições a cobrar 20 cêntimos por cada operação, sendo que numa delas, o BCP, o custo unitário chega aos 1,30 euros no caso de serem bancos diferentes.

Dentro de uma mesma instituição, na maioria das situações o custo das transferências imediatas é bastante mais elevado do que o MB Way. No BPI, por exemplo, uma transferência realizada através do MB Way tem um custo unitário de 20 cêntimos. Já uma transferência imediata custa no mesmo banco dois euros.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Transferências imediatas chegaram. Mas qual é a diferença para o MB Way?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião