Como serão as seguradoras do futuro?

Dentro de 20 ou 30 anos, os seguros serão feitos de maneira diferente, a comunicação dos sinistros mais automatizada, e os segurados farão uma monotorização da gestão do seu sinistro em tempo real.

A revolução tecnológica nos seguros já começou e vai mudar a maneira como clientes e seguradoras se relacionam nos próximos 20 a 30 anos. Seja na contratação dos seguros, na gestão dos sinistros ou na aplicação das poupanças, as seguradoras do futuro vão estar mais próximas dos clientes. O ECO contactou alguns especialistas do setor e, em jeito de “quase futurologia”, questionou como serão as seguradoras em 2038? Que mudanças se podem esperar no futuro para este setor?

“No futuro, as empresas de seguros terão de ser menos tradicionais e resistentes à mudança, passando a ser mais inovadoras, ágeis e com forte capacidade de adaptação, tendo como foco a prevenção e mitigação de risco, ao invés da proteção”, explicou Vanessa Serrão, manager da EY Portugal. Segundo esta especialista, são esperadas mudanças na relação com o cliente: “será muito mais automatizada, flexível e eficiente”, devendo as seguradoras “mudar os seus relacionamentos contratuais de curto prazo para longo prazo”.

Nuno Esteves, partner da KPMG, destacou que “esta tendência de inovação” poderá continuar a acentuar-se durante os próximos anos, o que irá “consolidar modelos já existentes e permitir o aparecimento de novos modelos de negócio, novos canais e formas de interagir com os clientes, cada vez mais personalizadas”, sendo possível, por exemplo, adotarem-se “novas formas de autenticação de clientes” o que irá permitir “reforçar o nível de automatização e desmaterialização dos processos”.

Já para Nuno Luís Sapateiro, advogado coordenador da Área de Direito dos Seguros de PLMJ, o futuro passará pela tecnologia aliada a uma melhor gestão e por produtos personalizados para cada cliente de forma rápida – “a seguradora do futuro terá a capacidade de mensurar riscos, gerar cotações e emitir apólices tailormade [feitas à medida] num espaço de poucos minutos”.

Além disso, “as relações entre os consumidores e as seguradoras no futuro estarão sustentadas, essencialmente, em smartphones e wearables, sendo que esse tipo de dispositivos poderá ter utilidade na perspetiva do consumidor mas também da monitorização dos riscos pelas seguradoras”, acrescentou o advogado coordenador da Área de Direito dos Seguros de PLMJ.

Nova estrutura de seguros e novas ofertas digitais

Os especialistas entrevistados pelo ECO acreditam que a própria estrutura dos seguros, nos diferentes ramos, irá mudar, de forma a adaptar-se continuamente à nova realidade.

“No ramo vida, fatores como a maior longevidade da população e a melhoria das condições de vida a nível global trazem importantes desafios de rentabilidade, permitindo o reforço de ofertas que promovam a manutenção da qualidade de vida no longo prazo, como por exemplo, o reforço da oferta de produtos atrativos que potenciem a poupança”, explicou Nuno Esteves, da KPMG.

Já Nuno Luís Sapateiro, da PLMJ, destacou que “um dos ramos que já está a sofrer uma grande transformação e que deverá continuar a ser objeto de aperfeiçoamento é o automóvel, uma vez que é um seguro obrigatório e que está associado a uma elevada sinistralidade e burocracia na gestão de sinistros”. Vanessa Serrão, da EY Portugal, salientou o seguro de saúde, além do automóvel, como as áreas que irão sofrer maior transformação: “As principais transformações situar-se-ão talvez no seguro automóvel e no seguro de saúde, sendo estes dois dos três ramos Não Vida com mais expressão do mercado.” Contudo, relembra que as novas tecnologias também trazem um “aumento significativo do risco associado à proteção e segurança de dados e sistemas. No entanto, este desafio pode ser visto como uma nova oportunidade, possibilitando a criação de novas áreas e produtos direcionados para uma vertente de cibersegurança”.

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