Boom turístico levou o capital de risco a apostar no imobiliário em Portugal

Apesar de as atividades turísticas terem registado um aumento do valor investido, a CMVM sublinha que estes são setores menos propensos à geração de elevado valor acrescentado.

Os fundos de capital de risco reforçaram, no ano passado, a aposta em atividades ligadas ao turismo. As empresas ligadas ao imobiliário captaram 363,1 milhões de euros em capital de risco, segundo revelam os dados divulgados esta quarta-feira pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A indústria transformadora foi a segunda atividade que captou maior investimento deste segmento (311,8 milhões de euros) e o alojamento, a restauração e atividades similares a terceira (289,5 milhões de euros). A CMVM considera que a tendência segue “em conformidade com o crescimento dos setores ligados ao turismo“.

Apesar de as atividades ligadas ao turismo a nível nacional terem registado um aumento do valor investido, o regulador sublinha que estes são setores menos propensos à geração de elevado valor acrescentado.

Quando avaliadas com base no valor de aquisição, apenas uma em cada seis operações produziu mais-valia e cerca de 28% registaram menos-valias. Ao contrário do que se verificou com os fundos de capital de risco, as sociedades de capital de risco tiveram ganhos superiores às perdas, “mas em ambos os casos existiu um elevado número de operações sem qualquer valia”, explicou a CMVM.

No final de 2017, havia, em Portugal, 95 fundos de capital de risco, 4,3 mil milhões de euros sob gestão, ou seja, 95,4% do mercado. As 46 sociedades de capital de risco geriam 209,7 milhões de euros, representativos de 4,6% do mercado. No caso das sociedades, atividades financeiras e de seguros, e em menor grau a construção, foram os setores que captaram maior investimento.

“Em Portugal os ativos sob gestão do setor do capital de risco mantiveram a tendência de crescimento verificada em anos anteriores, tendo no final do ano atingido 4,8 mil milhões de euros. Esta evolução ficou a dever-se essencialmente ao crescimento do valor direcionado para outros ativos afetos ao investimento em capital de risco (posições sobre derivados e outros ativos) e em menor grau ao aumento do valor investido em participações sociais”, nota a CMVM.

A rotação anual das carteiras de investimento resultantes das operações realizadas aumentou em simultâneo com a diminuição do investimento líquido (para valores negativos, que se fixaram em 67,2 milhões de euros) e o aumento das transações (para 182,4 milhões de euros).

No que diz respeito às fases de investimento, o venture capital continuou a deter menor peso relativo que o private equity, com as fases de turnaround, expansão e management buy-out a deterem maior importância.

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