Unicórnios puxam investimento em capital de risco para novo máximo

Apesar do número de operações ter diminuído face ao trimestre anterior, o total investido atingiu um novo recorde, nos primeiros três meses de 2018. Unicórnios promoveram escalada.

Nos primeiros três meses do ano, já foram levantados quase 50 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros) em capital de risco em todo o mundo, num total de 2.661 operações. De acordo com o relatório publicado, esta quinta-feira, pela KPMG, até março foi assim registado o maior investimento deste tipo de sempre.

Segundo a consultora, a conquista deste novo recorde ficou a dever-se à expansão dos negócios de média dimensão e ao crescente número de unicórnios, no mercado global (que foram responsáveis pelo levantamento de 14 mil milhões de dólares, ou seja, quase 11,5 mil milhões de euros).

No que diz respeito aos destinos campeões, o sucesso foi impulsionado maioritariamente pelos mercados asiático (com 14,6 mil milhões levantados, isto é, cerca de 12 mil milhões de euros) e americano (com 29,4 mil milhões de dólares — cerca de 24,1 mil milhões de euros — levantados no continente; destes, 28,2 mil milhões — 23,1 mil milhões de euros — ficaram nos Estados Unidos).

Em contraste, na Europa, foram realizadas mais operações do que no mercado asiático, mas o total arrecado nem chegou a metade daquele conquistado nesse continente, ficando-se nos 5,2 mil milhões de dólares (quase 4,3 mil milhões de euros).

Por tipologia de investimento, dos quase 50 milhões distribuídos, 1,3 milhões de dólares foram entregues a empresas ainda em fase seed, 7,7 milhões a projetos em early stage e 15 milhões a empresas em fases mais avançadas.

“Este tipo de investimentos está a privilegiar empresas em fases mais avançadas da sua evolução, em parte devido ao número de empresas unicórnio que permanecem privadas”, comenta em comunicado o Head of Advisory da KPMG Portugal, Nasser Sattar.

Uber está entre as cinco empresas que mais levantou capital, neste primeiro trimestre.

Um salto de 3,3 mil milhões

No último trimestre de 2017, tinham sido investidos 46 mil milhões de dólares (37,7 mil milhões de euros) em capital de risco. Segundo a KPMG, o salto de 3,3 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) agora registado ficou a dever-se a cinco mega-operações com valor acima dos mil milhões de dólares.

Destas, quatro estiveram relacionadas com as plataformas eletrónicas de transportes de passageiros: a Grab (de Singapura) levantou 2,5 mil milhões de dólares (quase 2,1 mil milhões de euros); a norte-americana Lyft conquistou 1,7 mil milhões de dólares (quase 1,4 mil milhões de euros); a GO-JEK (da Indonésia) levantou 1,5 mil milhões de dólares (1,23 mil milhões de euros); e a norte-americana Uber recebeu 1,25 mil milhões de dólares (1,02 mil milhões de euros).

A quinta grande ronda de investimento foi protagonizada pela Faraday Future. A fabricante de automóveis elétricos atraiu 1,5 mil milhões de dólares (1, 23 mil milhões de euros).

Apesar do crescimento do total investido, nos primeiros três meses do ano, o número global de operações de levantamento de capital recuou face ao último trimestre do ano passado: de 3.286 para 2.661.

Investidores estarão interessados em soluções baseadas em Inteligência Artificial, no resto do ano.

AI marcará resto do ano

Depois de um trimestre tão forte, a KPMG acredita que o resto do ano continuará a ser marcado pela abundância. Nos próximos meses, os investidores de capital de risco deverão estar particularmente focados na Inteligência Artificial (AI), na tecnologia automóvel e nas soluções tecnológicas para o setor da saúde, confirma ainda a consultora.

“A inteligência artificial continuará a ser uma aposta para investidores, devido à sua vasta aplicabilidade em vários setores e indústrias, como por exemplo no campo da saúde, onde tem o potencial de criar um modelo de prestação de cuidados de saúde totalmente novo”, refere o mesmo responsável da KPMG.

Além disso, a entrada em bolsa de mais empresas (seguindo os passos do Spotify) deverá promover uma onda de renovação da atividade de investimento em projetos em fases mais iniciais.

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