Défice da França derrapa para 3,2% do PIB com resposta aos ‘coletes amarelos’

  • Lusa
  • 16 Dezembro 2018

A resposta do governo francês às exigências dos 'coletes amarelos' vai fazer derrapar o défice público para 3,2% do PIB em 2019. Bruxelas garante mesmo tratamento a todos os países.

O défice das contas públicas francesas deverá atingir 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 por causa das medidas anunciadas para responder à crise dos ‘coletes amarelos’, admite o primeiro-ministro Edouard Philippe. A estimativa foi feita numa entrevista ao jornal Les Echos (em francês), divulgada online este domingo à noite.

Para tentar acalmar as manifestações do movimento ‘coletes amarelos’, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou um conjunto de medidas, incluindo o aumento em 100 euros do ordenado mínimo nacional, pago pelo próprio Estado, e a redução de alguns impostos.

Para atenuar o impacto das medidas nas Finanças Públicas, o Governo decidiu limitar, no próximo ano, a redução do imposto sobre as empresas àquelas com menos de 250 milhões de euros de volume de negócios. Para as outras empresas, a redução do imposto será adiada um ano.

Edouard Phillipe explicou que o aumento de 100 euros no salário mínimo será pago “a partir de 5 de fevereiro para completar o salário de janeiro”, adiantando que não abrangerá todos os trabalhadores com salário mínimo, porque o cálculo tem em conta o vencimento global dos agregados familiares. “Vamos alargar o número de agregados elegíveis, que passará de 3,8 milhões para cinco milhões”, disse o primeiro-ministro francês.

A estimativa de Edouard Philippe coloca o défice da França acima dos 3% estipulados pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia, que mantém atualmente um “braço de ferro” com Itália por causa dos valores do défice das suas contas públicas.

O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, garantiu na semana passada que a França não receberá tratamento preferencial relativamente a Itália em caso de derrapagem do seu défice. Bruxelas, recorde-se, chumbou o plano orçamental de Itália para 2019, por não estar conforme com as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, e recomendou a abertura de um procedimento por défice excessivo.

Embora tenha rejeitado um tratamento diferenciado para França, Moscovici lembrou que as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento autorizam em alguns casos derrapagens orçamentais.

Um desvio “temporário, limitado e excecional” das regras europeias que limitam o défice público de um país a 3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) é “concebível”, desde que a derrapagem não aconteça durante dois anos consecutivos e não exceda os 3,5%, disse.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Défice da França derrapa para 3,2% do PIB com resposta aos ‘coletes amarelos’

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião