“Estamos sistematicamente a lidar com a obsessão das metas do défice”, critica o Bloco

Numa reação à mensagem de Natal do primeiro-ministro, o Bloco de Esquerda sublinha a necessidade de lidar com o "défice social" e critica a política de cativações do Executivo.

“Estamos sistematicamente a lidar com a obsessão das metas do défice”, critica a eurodeputado do Bloco de Esquerda, Marisa Matias. “Não é só cumprir as metas, mas ficar muito abaixo das metas que são propostas por Bruxelas”, acrescenta a responsável numa reação à mensagem de Natal de António Costa, na qual o primeiro-ministro defendeu a necessidade de investir nos serviços públicos, nomeadamente SNS e transportes, mas frisou que é fundamental eliminar o défice e reduzir a dívida pública. Para Marisa Matias, o défice com o qual o Executivo deveria estar preocupado é o “défice social”.

É positivo ter o défice baixo“, reconhece a bloquista, em declarações transmitidas pela Sic Notícias. “Toda a gente se preocupa com a consolidação das contas públicas, mas esta obsessão por ir além das metas que estão estabelecidas é aquela que nos deixa com um défice muito mais preocupante e que retira muito mais ao desenvolvimento da sociedade que é o défice social“, apontou a eurodeputada. “É essa a nossa preocupação”, acrescentou.

Marisa Matias aponta o dedo à política de cativações levada a cabo pelo ministro as Finanças. “Não podemos ter casos como o último ano em que mil milhões de euros de despesa, que estava prevista no OE, não é executada em nome dessa obsessão“, pelo défice, acrescenta a eurodeputada. De acordo com o Orçamento do Estado para 2019, em 2018 Portugal deverá registar um défice de 0,7% e de 0,2% no ano seguinte. Mas o ministro das Finanças já reconheceu que deverá rever em baixa a meta do défice para este ano. Uma avaliação que vai ao encontro dos cálculos do Conselho das Finanças Públicas e da Unidade dos Técnicos de Apoio Orçamental (UTAO).

“Ficar muito abaixo das metas é desinvestir no nosso pais, é não combater com todos os meios a pobreza que existe em Portugal, não investir no SNS, não dar resposta aos cuidadores informais”, sublinha a eurodeputada. “É continuar a ter políticas que não promovem a verdadeira coesão territorial”, acrescentou. Para Marisa Matias, “o interior do país foi votado ao abandono” e “é por isso que o défice social é o principal défice a que é necessário responder”.

António Costa, na sua mensagem frisou: “Estamos melhor, mas ainda temos muito para continuar a melhorar”. Marisa Matias não podia estar mais de acordo. “Estamos de acordo de que há muitas coisas que precisam de ser melhoradas e as consequências têm de vir daí”, frisou a eurodeputada.

O primeiro-ministro também falou de riscos de retrocessos. “Virada a página dos anos mais difíceis, há agora duas questões essenciais que se colocam: por um lado, como conseguimos dar continuidade a este percurso, sem riscos de retrocesso. E por outro, como garantimos que cada vez mais pessoas beneficiam na sua vida desta melhoria”, disse António Costa.

A responsável do Bloco defende que “não é bom em 2018 usar uma frase da direita de 2014”. “O que enfrentamos é o não investimento e o descurar das políticas públicas. Esse é o verdadeiro risco de retrocesso”, sublinhou. “De resto não creio que possamos voltar de maneira nenhuma a soluções que provaram ser erradas e que justificaram, na altura, os cortes permanentes. O que precisamos é de investir na nossa sociedade e na nossa economia. Temos condições para o fazer como não tínhamos antes”, concluiu a bloquista que se recusou a falar de questões eleitorais em reação à mensagem de Natal.

(Notícia atualizada)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Estamos sistematicamente a lidar com a obsessão das metas do défice”, critica o Bloco

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião