Em mais de 300 fundos de investimento nacionais, só dois escaparam às quedas no último ano

Fundo NB Obrigações Europa, do Novo Banco, foi o que mais rendeu (1,2%) em 2018. Foi mesmo o único a gerar um retorno real para os investidores.

Os fundos de investimento mobiliário nacionais não foram uma aposta certeira. Apenas dois num universo de três centenas de fundos de investimento (denominados em euro) conseguiram apresentar retornos positivos, enquanto outros dois ficaram na linha de água. Os restantes levaram os aforradores a perderem dinheiro, muito por causa da queda das bolsas em 2018. Incluindo os fundos que investem em dólares, há mais dois na lista.

Com uma carteira de 59,7 milhões de euros em ativos sob gestão, o fundo NB Obrigações Europa da GNB – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Mobiliário foi o que mais rendeu (1,2%), de acordo com dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) relativos às rendibilidades anuais registadas na última semana de 2018.

O NB Obrigações Europa investe direta ou indiretamente mais de 70% dos ativos em obrigações de taxa fixa emitidas por entidades supranacionais, por estados Europeus, por empresas, em títulos de participação, em obrigações hipotecárias e títulos de dívida objeto de securitização.

Num ano que foi marcado pela redução e antecipação do fim do programa de compra de ativos do Banco Central Europeu (BCE) associado ao risco em Itália, Brexit e inversão da curva de yields das Treasuries norte-americanas, as obrigações da Europa compensaram o investimento. O fundo da gestora de ativos do grupo do Novo Banco tem um nível de risco três (numa escala de um a sete) e foi o único dos fundos em euros que superou a taxa de inflação (que acelerou 1% em Portugal).

Considerando também os fundos em dólares, o EuroBic Tesouraria – USD da Dunas Capital – Gestão de Activos, conseguiu um retorno de 1,5%. O fundo de curto prazo tem 25,3 milhões de euros. A mesma gestora de ativos tem ainda o fundo EuroBic Brasil, que investe em multi-ativos brasileiros, tem 13 milhões de euros sob gestão e teve uma rendibilidade de 0,3%, no ano passado.

Estas rendibilidades não têm, no entanto, em conta comissões e encargos cobrados pelas sociedades gestoras, que emagrecem os retornos para os investidores. Será o caso do fundo de ações setoriais do Montepio Gestão de Ativos, o Montepio Euro Energy, que gerou 0,4% de rendibilidade anual em 2018. Tem um risco 6 e 4,3 milhões de euros sob gestão.

Ações europeias geraram maiores perdas para os investidores

A partir daí, houve perdas para os aforradores. O fundo de mercado monetário euro CA Monetário da IM Gestão de Ativos e o NB Monetário da GNB tiveram uma rendibilidade de 0%. Já o BPI Monetário Curto Prazo (da BPI Gestão de Ativos), o Caixagest Obrigações Longo Prazo (da Caixagest) e o IMGA Extra Tesouraria III (IM Gestão de Ativos) registaram uma rendibilidade negativa em 0,1%.

O BPI Liquidez (da BPI Gestão de Ativos) perdeu 0,2%, o EuroBic Tesouraria Cat A EUR (da Dunas Capital – Gestão de Ativos) desvalorizou 0,3% e o Montepio Taxa Fixa (da Montepio Gestão de Ativos) caiu 0,4%. Estes fecham a lista dos 10 fundos de investimento mobiliário nacionais com melhores rendibilidades, no último ano, da APFIPP.

A análise setorial dos dados da associação mostra que estes fundos incluídos no top 10 registaram, apesar de tudo, perdas ligeiras quando comparados com o panorama nacional. Apenas duas categorias de fundos de investimento mobiliário conseguiram gerar rendibilidades positivas para os investidores.

As obrigações foram a aposta menos negativa, enquanto as ações europeias chegaram a perder mais de 15%. No caso dos fundos de ações portuguesas, as perdas foram de 13,02% em linha com a desvalorização do índice de referência nacional PSI-20, em 2018.

No final de 2018, o total dos fundos de investimento em Portugal geriam quase 10,47 mil milhões de euros. O valor sob gestão dos organismos de investimento coletivo em valores mobiliários caiu ao longo do ano passado e, apenas entre novembro e dezembro, perdeu 191,3 milhões euros.

Ações europeias foram a pior aposta em 2018

Fonte: Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP)

 

(Notícia atualizada no dia 30 de janeiro para incluir novos dados da APFIPP sobre fundos de investimento em dólares)

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