Cientistas estudam estratégias para tornar telecomunicações mais resistentes

  • Lusa
  • 14 Janeiro 2019

Onze investigadores em Portugal estão a desenvolver “novos modelos matemáticos e algoritmos”, tendo por base uma ideia do cientista David Tipper.

Investigadores de Coimbra e de Aveiro estão a desenvolver “novos modelos matemáticos e algoritmos” para “aumentar a resiliência das redes de comunicações” de serviços críticos, como hospitais, bolsa, banca e serviços de emergência, foi anunciado esta segunda-feira.

Onze investigadores das faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Economia (FEUC) da Universidade de Coimbra (UC) e do Instituto de Telecomunicações de Aveiro estão a desenvolver “novos modelos matemáticos e algoritmos”, tendo por base uma ideia do cientista David Tipper, revela a FCTUC numa nota enviada à Lusa.

O projeto tem como objetivo “aumentar a resiliência das redes de comunicações que sustentam os serviços críticos (hospitais, bolsa, banca, serviços de emergência, etc.)”, afirma a FCTUC, sublinhando que “uma avaria em redes de comunicações que suportam serviços essenciais pode causar danos incalculáveis”.

As redes devem, por isso, ser “resilientes, isto é, devem ter a capacidade de reagir e continuar a funcionar perante eventos indesejados como, por exemplo, corte de cabos, ou devem ser capazes de mitigar os efeitos no caso de desastres naturais ou de ataques de origem humana”, acrescenta.

Os novos modelos que os especialistas estão a estudar têm por base uma ideia de David Tipper, cientista e professor da Universidade de Pittsburgh, que defende que “para aumentar a robustez e fiabilidade de uma rede de comunicação não é necessário que todos os elementos que a constituem apresentem elevada disponibilidade”.

Importante é “escolher a ‘espinha dorsal’ (subestrutura física) da rede e trabalhar na disponibilidade diferenciada”, sustenta David Tipper.

Esta abordagem é “muito interessante, porque, devido à enorme complexidade das estruturas que compõem as redes, melhorar todos os seus elementos seria excessivamente dispendioso para os clientes”, afirma, citada pela FCTUC, Teresa Gomes, coordenadora do projeto, intitulado ‘ResNeD (Resilient Network Design – enhancing availability for critical services)’.

“Assim, o nosso desafio é selecionar os elementos da rede a melhorar, de forma a conseguir atingir os objetivos de disponibilidade exigidos pelos serviços críticos a um custo reduzido”, acrescenta a docente do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC e investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESCC), considerando que, no entanto, a ideia de David Tipper, só por si, não é suficiente.

Por isso, “além de utilizar mecanismos clássicos de proteção, vai-se também seguir uma outra abordagem, focada no estabelecimento de rotas alternativas geograficamente distantes e/ou que contornem as zonas de risco elevado”.

Na maioria das vezes, “quando há um desastre, esse evento afeta uma determinada zona da rede e teoricamente as zonas circundantes que continuam operacionais deveriam poder comunicar entre si”, mas, “atualmente, tal pode não acontecer porque o funcionamento e a arquitetura da rede não foram planeados para reagir rapidamente e adequadamente a esses eventos. É necessário explorar esse potencial”, explicita Teresa Gomes.

Para implementar as estratégias propostas no âmbito do projeto, a equipa de investigadores recorre à flexibilidade de gestão de rede proporcionada pelo atual paradigma, designado por Software Defined Networking (SDN), permitindo tirar partido da introdução de elementos com disponibilidade diferenciada e otimizar o funcionamento multicamada das redes de comunicações, refere a FCTUC.

No final do projeto, os cientistas esperam fornecer um conjunto de ferramentas para tornar as “redes do futuro mais resistentes a anomalias, garantindo que os serviços que são críticos para o país não são afetados”, conclui Teresa Gomes, que investiga na área de redes de comunicações há mais de duas décadas.

O projeto ResNeD é financiado pelo FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), através do Programa Operacional de Competitividade e Internacionalização COMPETE 2020, e por fundos nacionais, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

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