Em plena crise governativa, Venezuela ameaça desestabilizar mercado petrolífero

Novas disrupções nas refinarias norte-americanas são esperadas, especialmente se o país de Trump aprofundar as sanções ao regime de Maduro. O impacto poderá, no entanto, ir além dos dois países.

A Administração norte-americana liderada por Donald Trump está a postos para reforçar as sanções económicas à Venezuela, caso o Presidente Nicolás Maduro tome medidas drásticas como prender os opositores ou usar violência contra os manifestantes. Sendo a Venezuela detentora das maiores reservas petrolíferas no mundo, os desenvolvimentos da crise governativa estão a criar incerteza no mercado.

O líder do parlamento venezuelano, Juan Guaidó, autoproclamou-se na quarta-feira Presidente interino do país. A autoridade de Guaidó foi reconhecida por vários países, incluindo os EUA. Mas o país liderado por Trump foi mais longe e anunciou que está a estudar aumentar as sanções, que poderão ir desde penalizações à petrolífera estatal da Venezuela até um embargo total ao petróleo venezuelano.

Um embargo total à compra de petróleo venezuelano é a ferramenta mais agressiva no arsenal de sanções económicas que o Governo norte-americano poderá utilizar, mas até agora as autoridades têm sido relutantes em aplicar a medida que iria aprofundar ainda mais a crise no país. O impacto não se fará sentir, no entanto, apenas na Venezuela. Todo o mercado global iria ser penalizado pelas sanções.

“Qualquer interrupção na oferta de petróleo venezuelano será sentida pelo mercado, especialmente pelas refinarias norte-americanas do Golfo, que dependem desse petróleo bruto mais pesado“, alertou Warren Patterson, responsável pela estratégia de matérias-primas do ING, numa nota de análise.

Quase metade do petróleo venezuelano é vendido a empresas norte-americanas, incluindo a Citgo, Chevron CVX, PBF Energy PBF e Valero Energy. As refinarias nos EUA recorrem principalmente crude mais pesado que não é produzido em tão grande quantidade no país.

“Esse risco potencial destaca uma questão que os refinadores já enfrentam, que é a tendência de processar petróleo bruto mais leve, dado que é daí que vem a maior parte do crescimento do suprimento de petróleo. Por outro lado, assistem-se a interrupções ou cortes em graus mais pesados. Isto pode ter um impacto nos rendimentos das refinarias”, sublinhou Patterson.

A par do preço do petróleo e dos retornos das refinarias, o efeito das sanções dos EUA à Venezuela poderão criar ainda mais problemas democráticos. Apesar das reservas significativas e de a Venezuela exportar grande parte da produção interna, importa produtos refinados porque grande parte das suas refinarias não está a funcionar. A Venezuela poderá, assim, retaliar através desta ligação comercial.

A economia venezuelana é muito dependente do petróleo para fazer face às obrigações internacionais, sendo os maiores credores da dívida venezuelana são a China e a Rússia. Em última análise, a diminuição das receitas petrolíferas poderia levar a incumprimento por parte da Venezuela e a que os credores congelem bens do Estado venezuelano foram do território. Entre estes ativos estão participações em refinarias em solo norte-americano.

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