Google mais que duplica lucros. Publicidade assusta

  • ECO
  • 4 Fevereiro 2019

A Alphabet, dona da Google, fechou o exercício com lucros de 26,8 mil milhões de euros. Um crescimento de 143% face a 2017. Resultados superam expetativas dos analistas.

A Alphabet, dona da Google, fechou o ano de 2018 com lucros de 30.736 milhões de dólares (26.880 milhões de euros), um crescimento de 143% face ao ano anterior, segundo anunciou a gigante tecnológica esta segunda-feira após o fecho do mercado. Mas a quebra nos preços cobrados aos anunciantes estão a deixar os investidores preocupados com um eventual erosão da capacidade da Google gerar dinheiro através da publicidade, o core business da empresa.

O custo por click nas propriedades da Google — que mede o montante que a Alphabet cobra aos anunciantes — caiu 29% face ao ano anterior e 9% face ao trimestre anterior, o que alimenta as dúvidas dos investidores sobre a capacidade que a Google tem de cobrar aos anunciantes. A Alphabet enfrenta uma nova pressão na publicidade online de novos players como a Amazon e os custos do negócio estão a aumentar.

As receitas da publicidade atingiram uma espécie de estagnação com um crescimento de 20% face ao último trimestre do ano anterior, para 32,6 mil milhões de dólares (28,44 mil milhões de euros), o mesmo ritmo de crescimento do trimestre anterior. Mas, em termos globais, as receitas ultrapassaram os 136.819 milhões de dólares (119.657 milhões de euros), um crescimento de 23,4% face ao ano anterior.

Em termos do quarto trimestre, a dona da Google, obteve lucros de 8.948 milhões de dólares (7.825 milhões de euros), que compara com os prejuízos de 3.020 milhões de dólares (2.641 milhões de euros) registados em igual período do ano anterior quando a empresa assumiu o impacto negativo de 9900 milhões de dólares (8.657 milhões de euros) devido à entrada em vigor da reforma fiscal dos Estados Unidos.

Estes resultados superam as estimativas dos analistas, segundo a Reuters.

Já a receita do último trimestre do ano, totalizou os 39.276 milhões de dólares (34.349 milhões de euros), uma subida de 21,5% face ao período homólogo do ano anterior.

Ruth Porat, diretora financeira de Alphabet congratulou-se com os bons resultados alcançados pela empresa e afirmou que “com grandes oportunidade pela frente” vão “continuar a investir centrados no talento e na infraestrutura necessária para oferecer produtos e experiências excecionais aos utilizadores, anunciantes e sócios em todo o mundo”.

Mas se as recitas com a publicidade estão em queda de onde vêm os resultados positivos da Alphabet? Através do crescimento da rubrica “outras receitas”, que inclui o negócio da cloud e as vendas de hardware. Este segmento respondeu por 6,49 mil milhões de dólares (5,66 mil milhões de euros) durante o último trimestre de 2018, o que ficou aquém das expectativas dos analistas. Ainda assim, este desempenho representa um aumento de 31% em termos homólogos. A empresa apesar de ter recusado especificar quanto vale o negócio da cloud em termos trimestrais, disse que continua “a ser um dos negócios com crescimento mais rápido em toda a Alphabet”.

Apesar dos lucros, a rubrica dos custos está a preocupar os investidores, levando mesmo a que as ações estejam a sofrer uma queda na negociação fora do horário regular de Wall Street. E nem mesmo as declarações de Ruth Porat, dando conta de que os gastos com capital seriam este ano moderados, estão a acalmar os investidores.

Para Richard Kramer, analista da Arete Reearch, citado pela Reuters, “a Google registou um forte declínio nas margens operacionais”.

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