Saiba como a Raize quer dar juros mais altos nos depósitos

A fintech vai lançar um marketplace de depósitos, com o objetivo de os seus utilizadores poderem aplicar poupanças nos bancos e obter taxas de juro mais atrativas. Saiba como em cinco respostas.

As remunerações oferecidas pelos depósitos estão nas “ruas da amargura”. Os juros das aplicações a prazo nunca foram tão baixos como agora, um cenário que a Raize predispõe-se a mudar. A fintech portuguesa anunciou que vai lançar um marketplace de depósitos, com o objetivo de conseguir que os seus utilizadores possam aplicar poupanças nos bancos e obter taxas de juro mais atrativas face à oferta tradicional dos bancos.

Para já, a Raize ainda está na fase preparatória deste mercado virtual de depósitos e em contactos com os bancos, não tendo ainda uma data para o lançamento desta oferta de serviços financeiros. Em cinco respostas fique a saber o que é um marketplace de depósitos, como funciona, o que ganham os clientes bancários e se existem custos associados.

O que é um marketplace de depósitos?

Em termos básicos aquilo que a Raize está a disponibilizar é uma espécie de “loja virtual” em que servirá de intermediário entre os bancos e os clientes. Os bancos oferecem depósitos a prazo remunerados a uma determinada taxa e cabe à Raize encontrar entre o universo de utilizadores da sua plataforma quem esteja interessado em subscrever esses produtos.

Como vai funcionar?

O papel da Raize é funcionar como um intermediário em todo o processo. “A Raize é apenas uma plataforma de ligação com os bancos e as pessoas“, começa por esclarecer José Maria Rego, um dos fundadores da fintech portuguesa, acrescentando que o depósito a prazo é feito diretamente pelo cliente no banco em causa.

“Imagine-se um banco que quer captar depositantes, vem à Raize e diz que quer promover um depósito a um ou dois anos, por exemplo, com uma taxa de 1% ou 1,2%. Nós disponibilizamos essa informação aos futuros depositantes que dizem se querem subscrever esse depósito”, explica o responsável da fintech.

Segue-se a abertura de conta no banco que disponibiliza o depósito a prazo, processo que é feito à distância que é feito com recurso às novas tecnologias, nomeadamente através do mecanismo da Chave Móvel Digital, uma nova ferramenta que é tutelada pelo Governo.

“O cliente abre uma conta bancária de uma forma muito rápida e deposita o dinheiro que fica a render os juros”, esclarece José Maria Rego. As quantias aplicadas ficam salvaguardadas ao abrigo do Fundo de Garantia de Depósitos, estando ainda limitadas a um máximo de 100 mil euros por banco.

O que ganha o cliente?

À partida, os clientes bancários conseguem remunerações mais atrativas para as suas poupanças do que se fossem diretamente ao banco. “A ideia é conseguir proporcionar através da plataforma taxas que vão ser mais atrativas do que aquilo que as pessoas estão a receber nos grandes bancos nacionais que têm muito pouco incentivo a remunerar os depósitos das pessoas”, adianta José Maria Rego. “Pagar para ter o dinheiro no banco para nós isso deixa de fazer sentido”, acrescenta.

Essas afirmações inserem-se num contexto em que os bancos nunca pagaram tão pouco pelas poupanças das famílias. Os últimos dados disponibilizados pelo Banco de Portugal indicam que a taxa de juro média das novas aplicações em depósitos a prazo estavam em dezembro nos 0,15%, a fasquia mais baixa desde pelo menos o início do ano 2000.

O fundador da Raize lembra ainda que “a maioria dos depósitos estão concentrados em cinco grandes instituições o que faz com que não haja incentivo a remunerar os aforradores”. Isto é algo que a Raize pretende mudar com o lançamento deste marketplace de depósitos.

Como se conseguem juros mais altos?

“O marketplace de depósitos da Raize vai ser importante para canalizar recursos para instituições mais pequenas“. Nesta afirmação de José Maria Rego reside uma parte da justificação sobre como será possível aos aforradores conseguirem juros mais altos. À partida as instituições financeiras de menor dimensão que pretendam alargar a sua base de depósitos tenderão a estar disponíveis a “pagar” mais para captar recursos que estejam aplicados noutras instituições financeiras de maior dimensão.

Um “bolo” maior de recursos também à partida oferece uma mais-valia na hora de negociar a remuneração de um depósito. Isto é, aliás, prática relativamente comum nos bancos que, para além da oferta que têm nos seus preçários, dispõem-se a pagar uma remuneração mais atrativa a quem deposite uma quantia mais elevada.

E depois é uma questão de concorrência. “Na escala, um modelo onde os vários bancos estão a competir por depósitos é um modelo que vai necessariamente fazer aumentar a taxa de remuneração dos depósitos, porque há competição e as pessoas conseguem facilmente mudar de um banco para outro e procurar a melhor remuneração”, explica o fundador da Raize.

Há custos associados?

Nem a conta bancária, nem o serviço que a Raize pretende prestar terá custos para os clientes. “A lógica com que estamos a construir a Raize é que seja uma plataforma que promove a poupança e o investimento das pessoas. E achamos que para o fazer temos de manter o serviço gratuito”, esclarece José Maria Rego, relativamente ao posicionamento da Raize.

Já no que respeita ao banco onde são depositadas as poupanças também não há encargos associados. “É gratuita a parte de abertura de conta, constituição do depósito e a manutenção associada ao depósito em si“, esclarece o responsável da fintech, salientando, contudo, que o custo de “outros serviços auxiliares que sejam prestados já irão depender dos bancos e da forma como estes se vão querer posicionar junto dos clientes”.

Já a tecnológica financeira, por sua vez, é remunerada pelos bancos. “Temos acordos de remuneração que estão alinhados com os bancos”, explica o cofundador da fintech, salientando que os valores em causa irão depender dos fluxos de poupança encaminhados a partir da Raize para as instituições financeiras.

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