Empregador, decore: “Paralisia cerebral não é um problema mental”

  • ECO + FAPPC
  • 13 Fevereiro 2019

O nome "paralisia cerebral" assusta muita gente, principalmente no contexto laboral. Afinal, quem é que vai querer contratar alguém com uma deficiência com esse nome?

A verdade é só uma: a paralisia cerebral é, acima de tudo, uma deficiência da postura e do movimento.

Certamente que já ouviu falar sobre paralisia cerebral e de tudo o que está ligado a esta deficiência. Certamente acha-se uma pessoa super-informada sobre todos os temas, mas provavelmente não sabe o mais básico: a paralisia cerebral não é uma doença mental.

O que é então? A explicação é relativamente simples: “paralisia cerebral” são desordens no desenvolvimento do controlo motor e da postura, como resultado de uma lesão não progressiva aquando do desenvolvimento do sistema nervoso central.

A lesão pode ocorrer no nascimento, anteriormente ou no período que se segue. Não agrava, não progride, mas causa limites na atividade. Aproximadamente duas em cada 1000 crianças portuguesas têm paralisia cerebral.

A paralisia cerebral não tem cura mas, quanto mais cedo for detetada, melhor poderá ser tratada. Oferecendo uma melhor qualidade de vida futura. Existem hoje uma série de associações, espalhadas por tudo o país, que podem ajudar os pais a lidarem com este problema dos filhos, auxiliando-os e orientando-os.

Hoje, felizmente, vários são os casos de pessoas com paralisia cerebral que levam uma vida perfeitamente normal, apenas afetada por algumas pequenas limitações físicas, que a sua força de vontade fez com que fosse possível serem ultrapassadas. Há muitas pessoas com paralisia cerebral casadas, com filhos, sucesso laboral, que conduzem automóveis e levam uma vida perfeitamente normal.

O facto de esta “paralisia” ter o nome de “cerebral”, em nada tem a ver com um problema mental. Apenas tem esta nomenclatura visto tratar-se de uma lesão que ocorre ao nível cerebral e do nosso sistema nervoso central – responsável pela nossa coordenação motora. No entanto, muitas vezes persiste o mito de que todas as pessoas com paralisia cerebral têm algum tipo de défice cognitivo. Infelizmente, este mito é um dos principais causadores do desemprego que existe na população com paralisia cerebral.

O jornal ECO e a FAPPC (Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral), juntaram-se para, ao longo das próximas semanas, colocarem cobro a vários mitos que fazem com que todos os dias as pessoas com paralisia cerebral sejam afastadas de oportunidades de emprego, para as quais têm todas as qualificações e todo o potencial.

Não se esqueça que, ao contratar uma pessoa com paralisia cerebral, usufrui de uma série de benefícios fiscais, cumpre as quotas exigidas por lei para as grandes empresas e ainda está a construir uma imagem mais positiva de responsabilidade social da sua marca. Do que está à espera? Ajude-nos a acabar com o mito.

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