Sampaio e Constâncio ignoraram alertas sobre risco de créditos de gestor da CGD em 2002

  • ECO
  • 22 Fevereiro 2019

Almerindo Marques, que saiu do banco em desacordo com o presidente António de Sousa, enviou três cartas: às Finanças, ao BdP e ao presidente da CGD, com cópias para a Presidência, escreve o JE.

O antigo administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Almerindo Marques, alertou Vítor Constâncio (então governador do Banco de Portugal) do risco dos créditos do banco público, em 2002, segundo noticia esta sexta-feira o Jornal Económico (acesso condicionado). Os avisos chegaram ao Ministério das Finanças (então liderado por Guilherme d’Oliveira Martins) e a Belém (ao então Presidente da República Jorge Sampaio), mas nenhum tomou qualquer medida.

As críticas incidiam na forma como era atribuída a concessão de crédito, que não seria rigorosa no controlo de risco, bem como na existência de operações não ratificadas em conselho de administração. Almerindo Marques, que acabou por sair da CGD em desacordo com o então presidente do banco António de Sousa, enviou três cartas: ao Ministério das Finanças, ao Banco de Portugal e ao então presidente da Caixa. Enviou ainda cópias de todas ao Presidente da República.

“Confirmo que enviei três cartas – ao ministro das Finanças, ao presidente da CGD e ao governador do Banco de Portugal. Na primeira carta, a [Guilherme d’] Oliveira Martins, transmiti as razões para querer sair do banco, pois era responsável por um órgão que não funcionava bem e era uma desorganização completa. Foquei a política de gestão da Caixa em geral e da Caixa BI e alertei, em particular, para a política de crédito, nomeadamente para situações e financiamentos que estavam a ser concedidos irregularmente”, avançou ao JE Almerindo Marques, sobre a carta datada de 22 de janeiro de 2002.

O antigo administrador do banco explicou que lhe foi “recomendado pelo ministro das Finanças [Guilherme d’Oliveira Martins] que escrevesse a António de Sousa e a Vítor Constâncio a apresentar os motivos que considerava críticos na política de gestão e de crédito”.

Constâncio terá então pedido a Almerindo Marques que fosse ao Banco de Portugal porque “tinha de tratar do assunto”, como conta o administrador ao JE. “Vítor Constâncio disse não ter recursos para mandar fazer uma auditoria; que não era oportuno fazê-la ao maior banco do sistema, um banco público; e que não era conveniente uma auditoria com base numa denúncia de um membro do conselho de administração, pois não havia razões para justificar”, acrescentou.

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