“Vamos ser basicamente uma empresa verde”

As nuvens regulatórias e legais em Portugal não limitam a estratégia de António Mexia para a EDP. "Vamos ser basicamente uma empresa verde", assegurou a investidores e analistas em Londres.

Como é que se faz a apresentação de um plano estratégico de uma companhia para os próximos quatro anos debaixo de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) com resultados (in)certos? Não lhe chame plano estratégico, mas um ‘update’ do que está em vigor, revisto e aumentado, com soluções e caminhos que agradam a todos os acionistas. Foi isso que fez António Mexia na apresentação do plano para 2019/22. “É um plano transformacional, mas mantém a visão que já tinha sido apresentada”, afirmou o gestor perante uma plateia cheia de investidores e analistas, no centro de Londres.

“Vamos ser basicamente uma empresa verde. Verde é a palavra-chave”, disse Mexia, antecipando que a EDP vai reforçar, e muito, o peso das energias renováveis no negócio, ou seja, água, vento e sol, como fez questão de salientar mais do que uma vez. Se Miguel Stwille, administrador financeiro, detalhou os muitos números do ‘novo’ plano, Mexia esforçou-se por contextualizar a situação da EDP, desde logo em Portugal. Como já é público, as contas de 2018 mostraram que a EDP perdeu dinheiro em Portugal, sobretudo as dimensões regulatórias, “ou legais”. “Esqueçam as nuvens [regulatórias]”, pediu Mexia aos investidores e analistas.

“Em 2006, em Londres, apresentamos a nossa visão para o setor. Nesse momento, decidimos que queríamos renováveis. Era uma visão muito diferente. Antecipamos a transição energética… A escala das renováveis e a necessidade de ser uma empresa global, afirmou o gestor.

António Mexia admitiu que a EDP subestimou os temas regulatórios em Portugal, mas insistiu na visão de média e longo prazo, e sobretudo no que foi capaz de antecipar em relação aos compromissos anunciados no plano de 2016/2020. “O que temos hoje é uma história atrativa, mas turvada pelos problemas regulatórios e legais em Portugal”.

As “nuvens” e o ambiente “turvo” em Portugal foram uma constante na intervenção de António Mexia, sempre com o objetivo de mostrar o que é possível fazer, e cumprir, mesmo nesse contexto. Com três grandes números:

  1. Dividendos de três mil milhões, com um payout de 65% a 75%
  2. Vendas de dois mil milhões de euros
  3. Investimento líquido de sete mil milhões de euros, mais cerca de quatro mil milhões de rotação de ativos. E 75% do investimento em renováveis.

Já na fase de perguntas e respostas, António Mexia garantiu que não vai mudar a política de dividendos. “Nunca mudamos, mesmo quando as nuvens eram negras”, assegura, com uma referência ao período em que se discutiu a possibilidade de Portugal sair do euro, e também às atuais “nuvens regulatórias”.

A presidente executivo da EDP salienta que a visão estratégica para os próximos quatro anos não é exclusiva, mas acrescenta: “O diabo está nos detalhes”.

(O jornalista viajou a Londres a convite da EDP)

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