Maria Manuel Leitão Marques diz que saída não deixa Governo desfalcado

  • Lusa
  • 17 Março 2019

A ex-ministra da Presidência, que é a número dois da lista do PS às europeias, diz que quer levar a luta pela simplificação administrativa para Bruxelas.

A ex-ministra da Presidência Maria Manuel Leitão Marques considera que é tão importante ser eurodeputada como membro do Governo e afirma que a sua luta pela simplificação administrativa também faz sentido levá-la para as instituições europeias.

Posições assumidas pela “número dois” da lista europeia do PS numa conversa com a agência Lusa, depois de questionada se entende que desfalcou o Governo português ao deixar as pastas da Presidência e da Modernização Administrativa para se candidatar agora a eurodeputada nas eleições de 26 de maio.

Não penso que tenha desfalcado o Governo, ninguém é insubstituível no Governo. Acho que me orgulho muito daquilo que fiz no Governo, mas nunca tive uma atitude individual. Sempre trabalhei em grande colaboração com os meus serviços, com os meus secretários de Estado e, naturalmente, com o primeiro-ministro”, responde.

Maria Manuel Leitão Marques diz também acreditar que a sua missão enquanto ministra da Presidência e da Modernização Administrativa ficou “seguramente bem entregue” à nova titular do cargo, Mariana Vieira da Silva. Ainda sobre as consequências da sua saída do Governo em fevereiro passado, rejeita igualmente a ideia de ter alguma vez medido a importância institucional inerente aos cargos de membro do Governo e de eurodeputada em Bruxelas.

No entanto, no que respeita ao impacto político direto da ação de cada um destes cargos na vida dos cidadãos, Maria Manuel Leitão Marques entende que, “seguramente, é tão importante” ser eurodeputada quanto ser ministra no Governo português. “Esta é uma outra grande oportunidade na minha vida política para melhorar a vida das pessoas e das empresas”, acredita.

E aponta uma missão que julga que irá ter a curto prazo em Bruxelas: “Precisamos de uma visão simplificadora [na Europa] em que Portugal foi exemplo. Em particular a relação com os fundos estruturais, mas em outros domínios também, deve ser mais simples e menos complexa”, sustenta. A ex-ministra da Presidência entende mesmo que “é preciso levar a criatividade portuguesa para a Europa”.

“Com este Governo, Portugal demonstrou que era possível ter contas certas e ao mesmo tempo aumentar o rendimento das pessoas, combater a pobreza, promover o crescimento económico e criar mais e melhor emprego. Se a memória não nos falha – e é importante que não nos falhe nestas alturas -, em 2015, quando este Governo se formou, criando a maioria necessária para aprovar o primeiro Orçamento, isso era considerado uma missão impossível na Europa”, aponta.

Maria Manuel Leitão Marques reconhece que vai entrar para Bruxelas numa conjuntura diferente daquela que se verificava em 2015, em particular no que respeita à posição dos portugueses no contexto das instituições europeias.

Com a formação do atual Governo português, em novembro de 2015, “a desconfiança aumentou na Europa, as ameaças também, mas Portugal demonstrou que era possível um outro modelo em que se funciona com maiores preocupações sociais e sem perder o objetivo das contas certas”.

“Portugal ganhou depois a confiança das instituições europeias e é hoje considerado um exemplo. Elegeu o presidente do Eurogrupo [Mário Centeno] e tudo isto se fez com um trabalho conjunto do Governo e dos nossos deputados junto das instituições europeias. Essa é uma boa razão para ir para o Parlamento Europeu”, justifica.

Outra “boa razão” para se candidatar ao Parlamento Europeu, segundo Maria Manuel Leitão Marques, é a ideia de “trazer mais Europa para Portugal em domínios como a investigação – setor que representa um terço do Orçamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia”.

Os fundos estruturais representam 30% do investimento público. Por várias razões, precisamos de trazer mais Europa cá para dentro e incentivar todo o nosso sistema a ser mais colaborativo, trabalhando mais em rede”, acrescenta.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Maria Manuel Leitão Marques diz que saída não deixa Governo desfalcado

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião