Todos perdem numa guerra comercial mas EUA e China perdem mais, avisa o FMI

Numa altura em que EUA e China continuam sem chegar a um acordo que permita diminuir as tensões comerciais, o FMI rebate os argumentos da administração Trump e avisa que todos saíram prejudicados.

Não haverá vencedores na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, mas quem perderá mais serão sempre estes dois países, alertou esta quarta-feira o Fundo Monetário Internacional, que diz que no longo prazo o aumento das taxas alfandegárias vai acabar por prejudicar todos os países.

Num dos primeiros artigos de análise que acompanham a atualização do World Economic Outlook, o FMI decidiu olhar para as consequências para o comércio internacional das tensões que se agravaram desde que Donald Trump chegou ao poder.

A instituição liderada por Christine Lagarde rebate os argumentos usados pela administração norte-americana para o agravamento das taxas sobre as exportações chinesas (e não só), concluindo que mesmo que um país consiga alterar o saldo da sua balança comercial com um determinado país, isso não tem grande significado no saldo global.

O FMI diz que a discussão deve ser feita em torno da balança comercial em termos agregados, e não em saldos de trocas bilaterais, questionando assim a abordagem que tem sido feita pelos Estados Unidos nas questões comerciais com a China e também com a União Europeia.

Na mesma análise, o FMI deixa um aviso claro à administração norte-americana e ao governo chinês: o aumento das taxas teria um impacto significativo no valor acrescentado, emprego e produtividade dos países envolvidos, e ainda em países terceiros.

O Fundo faz mesmo contas e diz que um aumento de 1% no valor das taxas aduaneiras levaria a uma queda das exportações entre os países envolvidos entre os 3% e os 6%.

Como os países estão cada vez mais integrados no comércio internacional, também estão mais expostos ao impacto de mudanças como o aumento das taxas. Mesmo os países que podiam ganhar com a guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais — ao substituírem estes mercados –, acabariam por sair prejudicados devido ao impacto das tensões comerciais na confiança e ao agravamento das condições de financiamento.

Para além de usar o desequilíbrio comercial com a China como argumento para aumentar as taxas, Donald Trump tem defendido também que estas medidas têm como objetivo proteger o emprego em setores como a indústria metalúrgica.

O FMI também contesta este argumento, afirmando que, no longo prazo, a diminuição do comércio com a China irá desviar a produção para países como o México e o Canadá que teriam como consequência a perda de muitos empregos em alguns setores da economia norte-americana e chinesa.

Nas contas do FMI, caso os EUA decidissem aplicar uma taxa de 25% sobre as exportações chinesas, tal como Trump já ameaçou fazer, e a China ripostasse na mesma moeda, ambos perderiam, mas as exportações norte-americanas para a China cairiam mais, tanto no primeiro ano como no longo prazo, do que as importações de bens oriundos da China, o resultado contrário do que Trump diz que pretende.

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