Ministro da Economia de Itália avisa que pode ter de subir o IVA

  • Lusa
  • 17 Abril 2019

O Movimento Cinco Estrelas e a Liga prometeram aos eleitores não subir o imposto, mas o ministro da Economia, que é independente, disse que a atual realidade económica exige o contrário.

O ministro da Economia italiano, Giovanni Tria, advertiu esta quarta-feira que o Governo pode aumentar o IVA nos próximos dois anos se não encontrar alternativas para o evitar, uma afirmação que suscitou vivas reações nos partidos governamentais.

O Movimento Cinco Estrelas e a Liga prometeram aos eleitores que não subiriam este imposto para não aumentar a pressão fiscal sobre as famílias, mas o ministro da Economia, que é independente, evidenciou que a atual realidade económica exige o contrário.

“O IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) vai subir se não forem encontradas alternativas para o evitar”, assinalou Tria, falando no parlamento. Um aumento do IVA poderia levar a um encargo médio para as famílias de 538 euros por ano, segundo cálculos da imprensa, podendo a medida entrar em vigor no dia 1 de janeiro do próximo ano.

Essa medida só se vai materializar se o Governo não encontrar recursos por outras vias, como, por exemplo, cortando na despesa pública que tem prevista para implementar promessas eleitorais incluídas no orçamento de 2019. O executivo italiano prometeu à Comissão Europeia em finais do ano passado que a economia cresceria 1% em 2019 e que o défice seria de 2,04% e com estes números argumentou que tinha margem para aprovar medidas de apoio ao desemprego e baixar a idade da reforma.

No entanto, o Governo acaba de atualizar o seu quadro macroeconómico, prevendo agora um crescimento de apenas 0,2% em 2019 e uma subida do défice para 2,4%, um número que foi considerado excessivo pela Comissão Europeia no ano passado. Quanto à elevada dívida pública italiana, Roma prevê que continue a subir para 132,6% do Produto Interno Bruto (PIB), baixando para 131,3% em 2020, para 130,2% em 2021 e para 128,9% em 2022.

O país encontrou em recessão técnica em finais de 2018, após registar retrocessos de 0,1% nos dois últimos trimestres do ano passado, necessitando urgentemente de reduzir o alto nível de endividamento que duplica os 60% do PIB fixados no Pacto de Estabilidade.

Com um crescimento próximo de zero, segundo as previsões de organismos internacionais, a Itália terá de procurar outras vias para obter recursos, mas subir o IVA é uma possibilidade que não agrada aos partidos que integram a coligação governamental, numa altura em que estão centrados na campanha para as eleições europeias de maio.

Os dois vice-primeiros-ministros e líderes dos dois partidos, Luigi Di Maio (Movimento Cinco Estrelas) e Matteo Salvini (Liga), já advertiram Tria que isso não irá acontecer. “Com este Governo não haverá qualquer aumento do IVA, isso deve ficar claro”, afirmou Di Maio, em declarações à imprensa. “O IVA não vai subir. É um compromisso da Liga”, insistiu Salvini.

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