O que trazem as insurtechs

  • ECO Seguros
  • 10 Maio 2019

As startups tecnológicas do sector segurador, as insurtechs, captam milhares de milhões em investimento e também cada vez mais o interesse das grandes empresas do sector.

As startups no setor segurador atraíram milhares de milhões de euros de investimento nos últimos anos. Tiram partido da digitalização fornecendo algoritmos, em sites e aplicativos, capazes de abreviar a contratualização de um seguro, em que os subscritores obtêm uma cobertura à sua justa medida.
As insurtechs (nome que combina seguros e tecnologia), segundo um estudo da consultora Deloitte divulgado neste ano, utilizam as plataformas digitais e a automação para reduzir os custos de aquisição de clientes e melhorar a oferta de planos com base em dados. Tudo para tentar reverter um lento crescimento do mercado mundial de seguros que já persiste há mais de dez anos, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico.
Desde 2013, foram registadas mais 972 unidades entre as empresas do ramo, de acordo com a consultora americana CB Insights, citada pela Exame Brasil.
Do total, 460 negócios foram fechados só em 2017 e 2018, foram fechados 460 negócios envolvendo mais de 5 mil milhões de euros. A história lembra a das ‘fintechs’, startups que viraram o setor bancário de cabeça para baixo. Mas, em vez de brigar com as grandes companhias já estabelecidas, a revolução das ‘insurtechs’ é diferente: colaborar com as seguradoras tradicionais é fundamental. “As startups de seguros não substituirão as grandes tão cedo. Elas vão trazer inovações nas vendas e explorar outros processos que hoje são ineficientes”, diz José Prado dos Reis, presidente da Insurtech Brasil, empresa que organiza eventos na área.
As insurtechs não vêm concorrer com as grandes seguradoras estabelecidas, mas colaborar com elas. Uma condição fundamental ao seu negócio. Trata-se um mercado em que não há grande espaço e as startups tecnológicas do setor constataram que, muitas vezes, as grandes seguradoras não retiram toda a experiência do consumidor. Especializaram-se em segmentos de mercado, como a vistoria, a análise e a precificação.
Cedo as grandes empresas começaram a investir nos recém-chegados. De acordo com a S&P Global, que integra a agência de rating, que 14 grandes seguradoras financiaram ou tomaram capital em startups do setor em 2017. Estas contribuem com soluções em várias áreas, desde a oferta online de seguros, comparando as propostas de seguradoras, ao rastreio de carros roubados, através de imagens captadas em câmaras espalhadas pela cidade, à análise de documentos.
A canadiana Chisel AI utiliza inteligência artificial para agilizar a análise de documentos.
A solução lê 400 vezes mais rápido do que humanos, permitindo a uma corretora ser mais eficiente. A ideia obteve, em Janeiro deste ano, o 1º lugar num concurso de ‘insurtechs’ da Zurich. “Os problemas das seguradoras já existiam, mas não era possível resolvê-los só contratando mais pessoas. Com as evoluções técnicas recentes, podemos contar com a tecnologia”, diz Ron Glozman, fundador da Chisel AI.

A consultora britânica PwC mostrava, numa pesquisa efetuada em 2017, que 46% das grandes seguradoras trabalhavam com as ‘insurtechs’.
Outro estudo mais recente, da consultora francesa Capgemini, concluiu que, atualmente, 96% das empresas tradicionais de seguros planeiam fazer parcerias com as startups tecnológicas do setor segurador e 76% delas querem contratá-las.

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