Regulador europeu quer combater abusos nos seguros

  • ECO Seguros
  • 15 Maio 2019

O combate a práticas lesivas dos consumidores será a prioridade para os próximos anos. Por isso, as seguradoras portuguesas que se preparem. "Isto não é teoria, é a prática", alerta o regulador.

Gabriel Bernardino, presidente do regulador europeu dos seguros (EIOPA, na sigla inglesa), afirma que o combate a práticas lesivas dos consumidores será a prioridade da entidade nos próximos anos, como informou o ECO. E as seguradoras portuguesas que se preparem: “Lidem com isto antes de nós chegarmos lá”.

“Nós temos atacado bastante a identificação de modelos de negócios insustentáveis, que se traduzem em práticas que levam a que os consumidores sejam afetados”, começou por dizer Gabriel Bernardino, citado pelo Jornal de Negócios (acesso pago), durante a conferência “Os Seguros em Portugal”, em Monsanto. Mas o presidente do regulador quis mesmo deixar a ideia de que “isto não é teoria, é a prática”.

“Já há várias empresas que foram fechadas a nível europeu decorrente desta análise. Está a acontecer e vai continuar a ser uma prioridade do nosso lado”, alertou, deixando um aviso às seguradoras portuguesas. “Nós esperamos que o mercado — sejam as seguradoras, sejam os distribuidores — faça o seu trabalho de casa. Há conflitos de interesse na venda destes produtos. Há questões de fairness que têm de ser atacadas. Se não forem atacadas pelo próprio setor, vão ser pelos supervisores. E eu preferia que o setor tratasse dos seus esqueletos antes que a supervisão chegasse. E nós vamos chegar lá”, disse Gabriel Bernardino.

Na mira da autoridade europeia estarão, sobretudo, os seguros “unil link” e as comissões neles praticadas, os seguros vendidos associados a cartões de crédito, à compra de telemóveis e outro tipo de compras. Mas, os seguros de vida também vão ser um dos principais alvos, sobretudo em Portugal. “Muito importante para o mercado de seguros português, os seguros de vida associados ao crédito à habitação e ao crédito ao consumo”, acrescentou Gabriel Bernardino.

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