Cobertura de riscos emergentes deve estar na agenda das seguradoras

  • ECO Seguros
  • 25 Junho 2019

O ‘World Insurance Report 2019’ salienta que as seguradoras devem estar atentas às preocupações dos clientes quanto à cobertura de riscos emergentes, desde a segurança cibernética a riscos ambientais.

O World Insurance Report 2019, publicado pela Capgemini e Efma, revela que os segurados estão cada vez mais preocupados com o fato das suas coberturas de seguros se tornarem insuficientes para riscos emergentes, desde a segurança cibernética até às ameaças ambientais. As companhias seguradoras estão menos preparadas para a mudança do que os seus clientes, a maioria dos quais quer uma cobertura mais abrangente e dinâmica. Ao mesmo tempo, existe uma oportunidade significativa para que os players do setor aproveitem a tecnologia e as parcerias para superar as tendências ‘macro’, tornando-se parceiros mais proativos dos seus clientes.

O relatório considera que as seguradoras têm demorado a responder aos riscos emergentes, identificando cinco grandes tendências que estão a gerar riscos emergentes para os clientes de seguros e respetivos negócios: padrões ambientais disruptivos, avanços tecnológicos, evolução das tendências sociais e demográficas, novas preocupações médicas e de saúde e mudanças no ambiente de negócios.

No entanto, a maioria das seguradoras mostra-se vagarosa a responder àquelas tendências e a municiar os clientes para lhes fazer face. Menos de 25% dos clientes empresariais (em todas as regiões geográficas) e menos de 15% dos segurados individuais sentem ter cobertura suficiente para se protegerem contra qualquer um dos riscos emergentes gerados por estas grandes tendências. Menos de 40% das seguradoras de saúde e vida afirmam ter construído um ‘pipeline’ de novos produtos para cobrir os riscos emergentes de forma abrangente. Esta resposta lenta às ameaças emergentes criou lacunas significativas de cobertura aos clientes expostos a riscos emergentes. O relatório estima que 83% dos clientes de seguros individuais apresenta uma média ou alta exposição a ataques cibernéticos, estando apenas entre 3% e 5%, cobertos de uma forma abrangente contra a eventualidade de ocorrerem. Entre os clientes empresariais, 81% encontram-se expostos a custos crescentes com a saúde dos funcionários, em relação aos quais apenas apresentam somente 17% de cobertura; 87% estão em risco de ataques cibernéticos e quase 75% encontram-se ameaçados pelo aumento das catástrofes naturais, para as quais apenas 22% está efetivamente coberto.

À medida que o cenário do mercado segurador muda, os clientes, refere o relatório, mostram uma maior disposição para as mudanças do que os seus fornecedores de seguros. Mais de metade (55%) dos clientes mostram-se disponíveis para explorar novos modelos de seguro, mas apenas um quarto (26%) das seguradoras investe neles. Enquanto 37% dos clientes se dizem muito dispostos a compartilhar dados adicionais em troca de melhores serviços de prevenção e controlo de risco, apenas 27% das seguradoras mostram capacidade de explorar dados em tempo real com o objetivo de modelação de risco.

As seguradoras devem responder às ameaças emergentes e mudar as expectativas dos clientes, adotando novas tecnologias e parcerias, considera o documento. Os recursos de avaliação de riscos podem ser significativamente aperfeiçoados por meio da implementação de ‘Machine Learning’, Inteligência Artificial e ‘analytics’ avançado, além da colaboração efetiva com Insurtechs. O progresso nestas áreas tem sido heterogéneo: a maioria (57%) aproveitou AI, ‘Machine Learning’ e ‘analytics’ avançado, mas somente 29% implementaram o ‘automated risk assessment’. Segundo o relatório, o progresso tecnológico tem de ser acompanhado por uma mudança de atitudes. Se as seguradoras tradicionalmente se veem a si próprias como pagadoras, têm de evoluir para as funções paralelas de parceiro e preventor, trabalhando mais de perto com os clientes para mitigar os riscos e fornecer serviços que tenham uma procura específica.

“As tendências emergentes de risco e as crescentes expectativas dos clientes estão a mudar drasticamente o panorama segurador, e os fornecedores têm de ser ágeis na forma como respondem”, afirmou Anirban Bose, CEO da Financial Services na Capgemini e membro do conselho executivo do grupo. “Esta pesquisa mostra uma lacuna de cobertura em áreas de risco emergente, mas também destaca uma oportunidade importante para as seguradoras. Aqueles que conseguirem fazer evoluir os seus produtos por meio da tecnologia, colaborar com inovadores e pensar em si mesmos como parceiros e preventores junto dos seus clientes, podem beneficiar mais”.
“Esta pesquisa mostra que o futuro do seguro será centrado na parceria”, disse Vincent Bastid, secretário-geral da Efma. “Os fornecedores de seguros devem colaborar com parceiros que oferecem altos níveis de especialização em áreas que vão da IA até à ‘analytics’ avançada. Simultaneamente, têm de se aproximar mais dos seus clientes para fornecer um serviço mais ágil e voltado para a procura que muitos fazem”.

O World Insurance Report (WIR) 2019 abrange os três segmentos gerais de seguro – Vida, Não Vida e seguro de saúde. O relatório deste ano baseia-se em ‘insights’ (perspetivas privilegiadas) de pesquisa de duas fontes primárias – 2019 Global Insurance Voice of the Customer Survey e 2019 Global Insurance Executive Interviews (em tradução livre, o relatório que dá Voz ao Consumidor Global de Seguros 2019 e as Entrevistas com Executivos Globais de Seguros 2019). Estas fontes, em conjunto, cobrem ‘insights’ de 28 mercados: África do Sul, Alemanha, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Singapura, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hong Kong, Índia, Itália, Japão, México, Noruega, Polónia, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça e Turquia. Pode aceder ao relatório em www.worldinsurancereport.com.

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