Mercado concentrado em 5 seguradoras

  • ECO Seguros
  • 22 Julho 2019

A produção das três principais seguradoras, tanto do ramo vida como do não vida, corresponde a metade, ou mais, do total de cada um daqueles mercados, disse a presidente da entidade reguladora, a ASF.

A Fidelidade é a empresa que tem maior produção no mercado segurador português, tanto no ramo vida como no não vida. De acordo com os dados respeitantes ao último ano e apresentados pela presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), Margarida Corrêa de Aguiar, numa comissão parlamentar, qualquer dos dois ramos do negócio segurador, é dominado por três empresas. No ramo vida pontificam a Fidelidade (39%), a Ocidental Vida, assente na parceria entre Ageas e BCP (17%) e Santander Totta Vida (12%). Seguem-se, ainda no ramo vida, a BPI Vida e Pensões (6%), GNB Seguros Vida (4%), Allianz (3%), com a restante produção distribuída por outras seguradoras (14%). São 30 as empresas de seguros que exploram o ramo vida, estando 17 sob supervisão da ASF. A produção total do ramo vida atingiu 8,1 mil milhões de euros.

Já no ramo não vida operam 59 empresas, encontrando-se 29 sob supervisão prudencial da ASF. Em 2018, a produção da totalidade do mercado (4,8 mil milhões de euros) representava cerca de 37% do total da atividade seguradora. Aqui a quota da Fidelidade é de 26%, seguindo-se a Seguradoras Unidas, agora vendida à Generali, com 15% e a Allianz, com 9%. O restante mercado é distribuído por Ocidental Seguros (7%), Ageas Seguros (6%), Liberty (6%), Zurich Insurance (5%), Lusitania Seguros (4%), Generali (3%) e outras empresas (17%).

A presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões divulgou estes números na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, que houve, todos os anos, os supervisores do setor financeiro. Margarida Corrêa de Aguiar adiantou que a produção seguradora subiu em Portugal, em 2018, 12,6% (na média dos dois ramos), muito acima do crescimento da produção de seguro direto na União Europeia (6,4%). A produção total da União foi de 1.305 mil milhões de euros.

O resultado técnico do ramo vida desceu, o ano passado, fixando-se abaixo de 400 mil milhões de euros. Pelo contrário, o ramo não vida aumentou significativamente o seu resultado técnico, que se aproximou dos 200 mil milhões de euros. O resultado técnico é um indicador fundamental de desempenho para as seguradoras, somando os prémios, o acréscimo de provisões técnicas, o saldo de resseguro e o resultado financeiro e subtraindo o custo dos sinistros e os custos de exploração. A taxa de sinistralidade diminuiu, mantendo-se no segmento doença e aumentando ligeiramente no setor automóvel.

A dívida pública e as obrigações emitidas por empresas privadas dominam as carteiras de investimentos nos dois ramos seguradores. No ramo vida os títulos de dívida pública representam 45% das aplicações feitas pelas seguradoras que nele operam, as quais tinham ainda 29% da sua carteira constituída por obrigações, 12% por fundos de investimento, 10% por depósitos bancários e 5% por ações. A carteira de investimento dos ramos não vida são mais arrojadas, com as aplicações em ações a representarem 12% do total, predominando, contudo, a dívida pública, embora com menor expressão que no ramo vida (35%) e as obrigações privadas (24%). Os fundos de investimento representam 14% das carteiras de investimento das seguradoras não vida, os depósitos 11% e os ativos em terrenos e edifícios 5%.

O mercado português apresenta um significativo potencial de crescimento quando comparado o “índice de densidade”, que divide o total de prémios subscritos pela população residente, nacional e europeu. Embora tenha crescido no último ano, o valor dos prémios que se podem matematicamente afetar a cada residente em Portugal (1.301 euros), mantém-se bastante abaixo do apurado na área do euro (2.444 euros) ou na União Europeia (2.319 euros).

 

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Mercado concentrado em 5 seguradoras

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião