CGD avisou Governo em 2016 de risco para o banco do novo acordo com Berardo

  • ECO
  • 1 Agosto 2019

Perante o novo acordo entre o Governo e Berardo, sem consulta dos credores, banco público viu-se obrigado a aumentar o nível das imparidades associadas ao empresário madeirense.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) escreveu uma carta ao Governo em 2016, depois de ter sido fechado o acordo sobre a continuidade da coleção de obras de arte de Berardo no Centro Cultural de Belém, a alertar para os riscos que essa decisão, a que o banco público foi alheio, teria na relação comercial com o empresário.

O Governo prorrogou, à data, os prazos e alterou clausulados do protocolo, sem consultar os credores, conta o Público (acesso condicionado). Um dos maiores era o banco público, cujas garantias entregues pelo devedor assentavam sobre a Associação Coleção Berardo (ACB), o alvo da renegociação.

Na negociação, o Governo alterou o clausulado do acordo, deixando cair o preço pré-estabelecido para o caso de o Estado vir a exercer a opção de compra, conta o jornal. Lembra que em 2007, as 862 obras no CCB tinham sido avaliadas pela leiloeira Christie’s em 316 milhões de euros.

A divulgação do novo protocolo, a par da descoberta de que Berardo tinha mudado os estatutos da Associação à revelia da banca, que fez disparar os alarmes dentro da Caixa, já que obrigava o banco público a rever as imparidades associadas ao empresário madeirense.

José Lourenço Soares, o então responsável dos assuntos jurídicos da CGD, alertava na missiva enviada ao Governo de Costa que perante este novo acordo o banco teria de subir o nível das imparidades associadas a Berardo. Era já um dos maiores devedores de alto risco, com uma exposição de cerca de 280 milhões de euros.

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