Os robôs vão eliminar postos de trabalho. Sim ou não?

Várias empresas consideram que a robotização será uma mais-valia para o crescimento económico do país e assinalam que a grande lacuna na automação está ao nível do ensino.

O mercado de trabalho vai sentir os efeitos da automação, especialmente no norte do país. Até 2030 serão perdidos 421 mil postos de trabalho, sobretudo no setor da manufatura, e criados 227 mil novos postos de trabalho, de acordo com um estudo da Confederação Empresarial de Portugal (CIP). O ECO conversou com algumas empresas para perceber se efetivamente os robôs vão ou não roubar postos de trabalho.

As opiniões são unânimes e os intervenientes consideram que “os robôs não vão roubar postos de trabalho”. Acreditam que o caminho para a automação será uma mais-valia para o desenvolvimento económico do país e que é necessário apostar na requalificação dos recursos.

Susana Serrano, CEO da Adalberto Estampados, empresa que produz e distribui os produtos da Disney no mercado ibérico, evidencia que existe uma preocupação por parte das empresas e alerta que a questão da automação vai ser uma “revolução essencialmente porque existem muitas lacunas, essencialmente a nível de ensino“.

Quando questionada pelo ECO sobre se os robôs estão a roubar os postos de trabalho, Susana Serrano não concorda e refere até “o que nós estamos a fazer hoje é requalificar e formar pessoas para outro tipo de tarefas, nós não estamos a eliminar postos de trabalho, as pessoas continuam a ser o sucesso das empresas e vão continuar a ser”. Como a Adalberto Estampados tem cerca de 350 trabalhadores e exporta 90% das vendas para 40 países, a “automação vai ser uma mais-valia “para o setor”, refere a CEO da empresa.

José Fernandes, chairman do grupo Frezite, é da mesma opinião que Susana Serrano e destaca que a “robotização não vai retirar postos de trabalho”, considerando “inadmissível que existam políticos que usem essa imagem”. “Isso é destruir valor”, sublinha. Acrescenta ainda que a robotização tem inúmeras funções, nomeadamente “eliminar erros humanos provenientes de cansaço ou fadiga, aumentar a produtividade e, consequentemente, a qualidade da atividade económica das empresas”. O chairman do grupo Frezite conclui que “os robôs não vão eliminar postos de trabalho mas sim eliminar os erros”.

Muitas das nossas empresas estão capacitadas para aumentar a capacidade de respostas e as exportações mas precisam de novas soluções e a robotização é uma delas.

José Fernandes

Chairman do grupo Frezite

Para Miguel Pinto, diretor geral da Continental Vila Real, “a automação é um desafio que pode ser muito positivo para o desenvolvimento económico do nosso país”. A automação é uma mais-valia para as empresas, considera o responsável, apelando à “necessidade de implementar inovações na automação dos processos e ao mesmo tempo requalificar os recursos humanos de forma a conseguirmos atrair mais projetos para Portugal com mais valor acrescentado”. Também Susana Serrano refere que, através da aposta na automação, “toda a gente vai lucrar: as empresas, o país e as pessoas”.

“Papel do Governo”

Os três intervenientes consideram que é papel do Governo apoiar as empresas a requalificar os seus recursos. Para o chairman do grupo Frezite, José Fernandes, “neste momento há um défice muito grande de recursos qualificados e cabe também ao Governo ajudar as empresas neste processo de automação”, constatando a necessidade de “reforço do investimento sobretudo nos centros protocolares e nas escolas técnicas”.

O diretor geral da Continental Portugal, Miguel Pinto, concorda que o Governo tem de criar condições para que este passo seja bem-sucedido e enfatiza a importância da aposta na inovação e requalificação e conclui que é “importante que os fundos estruturais sejam bem direcionados”.

Do lado do Governo, a CIP defende a adoção de subsídios à formação, salientando que a requalificação da força de trabalho deverá resultar em “menores pagamentos de subsídios ao desemprego” e num “maior crescimento económico” do país.

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