Necessidade de automação não significa eliminação de postos de trabalho

Só no norte do país a automação dos processos vai pôr em causa 190 mil postos de trabalhos até 2030. Segundo a CIP a requalificação de mão de obra é imperativa para aumentar a competitividade.

O mercado de trabalho vai sentir os efeitos da automação, especialmente no norte do país. Até 2030, 421 mil postos de trabalho serão perdidos sobretudo no setor da manufatura, de acordo com um estudo da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), sendo que serão criados 227 mil novos postos.

De acordo com o relatório divulgado, esta quarta-feira, prevê-se uma destruição líquida de cerca de 190 mil empregos no norte do país, consequência da automação. O setor têxtil (dentro da manufatura) é a área mais afetada pela automação, em termos de perda de postos de trabalho, representando “metade das perdas”, segundo dados avançados pelo estudo.

Para o autor do estudo, João Duarte, a “automação não significa necessariamente o despedimento dos trabalhadores mas sim uma aposta das empresas em trabalho qualificado. O objetivo é as empresas fazerem uma realocação interna de recursos humanos de forma a não existir perda liquida”, salienta.

João Duarte evidencia que “a robotização não vai pôr em causa os postos de trabalho mas sim ajudar a aumentar a competitividade de Portugal em vários setores, nomeadamente no têxtil. É um setor onde existem atividades manuais que são muito propensas a serem automatizadas face a outras industrias de manufatura”, explica.

234 mil trabalhadores do Norte necessitarão requalificar-se

A requalificação é um dos maiores desafios da automatização no mercado laboral em Portugal, devido ao baixo nível de escolaridade e à população envelhecida. Só no norte cerca de 14% da força de trabalho tem que apostar na requalificação de mão-de-obra qualificada. Segundo o autor do estudo, esta requalificação é necessária e defende que “Portugal deve investir muito mais na requalificação para ganhar competitividade”.

Para João Duarte existe uma clara necessidade de requalificar os trabalhadores tendo em conta que só irá trazer vantagens, nomeadamente um aumento de produtividade. Segundo o estudo, 52% do tempo despendido em tarefas laborais atuais é suscetível de ser automatizado recorrendo à tecnologia atual, podendo aumentar para 70% em 2030. “Do ponto de vista das empresas investir em requalificação faz com que diminua a pressão salarial que tem existido ao longo dos anos em trabalho qualificado”, alerta o autor do estudo ao ECO.

Um das maiores vantagens da automatização é a rentabilização do tempo

Para João Duarte, a automatização numa escala de expansão irá reduzir a necessidade de contratação de novos funcionários que têm baixas qualificações — não estamos a falar de eliminação de postos de trabalho mas sim da eliminação de horas de trabalho para tarefas que tem baixo valor adicionado”, conclui.

"O salário médio dos trabalhadores não qualificados está estagnado mas se olharmos para o salário dos trabalhadores qualificados este tem aumentado brutalmente. ”

João Duarte

Autor do estudo “O Futuro do Trabalho em Portugal – O Imperativo da Requalificação: Impacto no Norte”

Segundo a CIP, o investimento em requalificações tem o retorno de um para sete. Para João Duarte, “um trabalhador que decida investir em requalificação vai ter um retorno ao longo da sua vida de sete vezes o custo que investiu”. Para o autor do estudo esta requalificação vai permitir benefícios para o trabalhador, nomeadamente o “aumento salarial, mais oportunidades de emprego, aumento de salário e fazer tarefas menos repetitivas”, refere.

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