ATOL salva seguradoras do colapso da Thomas Cook

  • ECO Seguros
  • 23 Setembro 2019

Um esquema para prevenir incumprimentos de operadores turísticos pode salvar seguradoras de uma grande indemnização aos clientes da gigante britânica das viagens.

A Thomas Cook acabou mesmo por falir depois das últimas negociações terem falhado nos acertos finais do modelo de sobrevivência do operador turístico que estava escolhido. O grupo Fosun, que em Portugal entre outras participações detém 85% da Fidelidade, mas que é igualmente proprietário do Club Med à escala mundial, injetaria 450 milhões de libras de dinheiro novo e ficaria com, pelo menos, 75% do operador e com 25% da companhia aérea. Os bancos credores, onde se destacavam o RBS e o Lloyds, bem como obrigacionistas ficariam com o restante em cada uma das empresas, convertendo os seus créditos em capital por um valor idêntico ao da Fosun.

Em valores e números, a Thomas Cook é o segundo maior operador europeu. Tem hotéis, resorts e companhias aéreas onde movimenta 19 milhões de turistas por ano, conta com 21 mil funcionários e nasceu em 1841. Em Portugal a sua importância enquanto cliente é decisiva segundo os hoteleiros da Madeira e Algarve, receios confirmados pela Confederação de Turismo de Portugal.

A dívida da Thomas Cook é atualmente de 1,7 mil milhões de libras e estava tudo acertado para a entrada dos 900 milhões de libras necessários à continuação da empresa mas, segundo a Reuters, surgiram mais 200 milhões para que a Thomas Cook sobrevivesse ao inverno, época em que as receitas são menores.

Pode parecer estranho que após meses de negociações e anúncios oficiais de viabilização uma soma relativamente pequena tenha inviabilizado o negócio. No entanto, o comentário alargado era de que a dívida da Thomas Cook era demasiada, a concorrência das vendas online vai aumentando, assim como o formato clássico do pacote turístico estar a perder adeptos e a geopolítica, que inclui o brexit, está muito incerta. Para agravar, a desvalorização da libra também provoca efeitos de menor poder de compra dos britânicos nas suas deslocações internacionais.

ATOL é a primeira solução, seguradoras depois

As negociações foram levadas para o fim de semana onde se esperava ser uma questão de ajustes, o encerramento foi uma surpresa que surpreendeu 150 mil turistas que haviam comprado as suas férias no operador e que ficaram sem forma de voltar para casa. Os relatos chegam a hóteis da Tunísia que exigiram pagamento aos turistas para os deixar sair.

Para começar o governo britânico começou uma operação de retorno a casa de todos os que os turistas que ficaram sem viagem de volta e sem pagamento do resto da sua estadia assegurado.

Neste ponto começa uma nova etapa. Existe o esquema ATOL – Air Travel Organiser’s License, introduzido em 1973 quando a moda dos pacotes turísticos em Inglaterra se instalou e os problemas com falhas de agências de viagem, operadores turísticos e companhias aéreas se intensificaram.

O esquema é dirigido pela CAA – Civil Aviation Authority e, segundo a media britânica, teria um excedente de caixa de cerca de 170 milhões de libras em maio de 2018 e um seguro de 400 milhões de libras, cuja seguradora e resseguradora ainda não são conhecidas, para suprir necessidades como as que agora se colocam com a Thomas Cook.

A ATOL vive de anos em que se cobrou 2,5 libras por cada pacote turístico vendido e o selo e a garantia de ATOL é um argumento usado para dar garantia aos clientes das agências de viagem.

A CAA que do lado do Governo inglês está a coordenar o repatriamento dos turistas usando os fundos da Atol para assegurar pagamentos de voos, hotéis, rent-a-car. Para os clientes e os próprios equipamentos e empresas turísticas lesadas, a ação agora é queixar-se diretamente à CAA. Alguns poderão usar coberturas incluídas nos seguros de viagem ou do cartão de crédito, mas apenas causam preocupações os pacotes turísticos low cost em que nenhuma preocupação, com a solvabilidade dos operadores que os vendem, se manifesta.

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