Capital Economics: Angola “está a falar a sério” sobre reforma cambial, mas investidores desconfiam

  • Lusa
  • 25 Outubro 2019

O Banco Nacional de Angola decidiu abandonar a limitação de variação e permitir que o kwanza oscile livremente. Capital Economics diz que "os investidores vão querer esperar para ver".

A consultora Capital Economics considerou esta sexta-feira que as medidas cambiais do Banco Nacional de Angola mostram que o regulador financeiro “está a falar a sério” sobre a reforma cambial no país, mas os investidores ainda estão céticos.

“A decisão do BNA de abandonar a limitação de variação e permitir que o kwanza oscile livremente sugere que os decisores políticos finalmente estão a falar a sério sobre a reforma cambial”, escreve o analista que acompanha a economia de Angola.

Numa nota sobre a política cambial do país, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso, John Ashbourne argumenta, no entanto, que “depois de várias falsas partidas, os investidores vão querer esperar para ver se o Governo realmente vai em frente com o processo“.

Na quarta-feira, o BNA confirmou a medida, assumindo que já tinha retirado o limite de 2% imposto aos bancos no leilão de divisas e elimina agora a margem de 2% que os bancos podem aplicar, esperando encontrar um equilíbrio cambial até ao final do ano.

Passaremos a ter um mercado que vai funcionar conforme as forças do próprio mercado, procura e oferta. O que temos hoje é um cenário em que há uma procura superior à oferta e como não temos um elemento que regule essa relação, acabamos por ter a acontecer operações fora do sistema financeiro (…) muitas vezes injustas e que põem em causa a segurança dos participantes”, justificou José de Lima Massano, no final da reunião do Comité de Política Monetária, esta semana.

Para John Ashbourne, o banco central “pode ter sido forçado a afrouxar o controlo cambial devido à crescente divergência entre o mercado paralelo e a taxa oficial de câmbio”, sendo que “a queda das reservas estrangeiras do Banco também pode ter desempenhado um papel”.

Esta “mudança política bastante dramática”, disse, vai implicar um aumento da inflação a curto prazo, mas a longo prazo os efeitos não são tão claros: “Os decisores políticos, no passado, também já fizeram várias promessas de remover a limitação de oscilação, mas depois na prática não o fizeram”, lembra o analista, alertando que “podem perder a coragem outra vez”.

A consultora Capital Economics espera, assim, que a inflação termine o ano nos 18%, abrandando depois para 17,5% em 2020 e para 15,5% em 2021. No que diz respeito às previsões sobre o andamento da economia, os analistas também reviram as estimativas, antecipando agora uma recessão de 1% este ano e uma recuperação de 1% em 2020, que acelerará para 1,5% em 2021.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Capital Economics: Angola “está a falar a sério” sobre reforma cambial, mas investidores desconfiam

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião