13 mil profissionais da PSP e GNR nas ruas. Governo promete mais contratações

  • ECO e Lusa
  • 21 Novembro 2019

Sindicatos das forças de segurança reivindicam melhorias salariais e condições de trabalho. Os deputados André Ventura, Telmo Correia e Inês Sousa Real juntaram-se aos manifestantes.

A organização da manifestação conjunta de elementos da PSP e militares da GNR calcula em cerca de 13 mil o número de participantes no protesto por melhores condições salariais e profissionais. Deixam a ameaça de uma nova concentração de protesto a 21 de janeiro, enquanto o Governo prometeu novas contratações.

Este protesto de polícias, militares da GNR e apoiantes é um dos maiores de sempre de forças de segurança e poderá repetir-se caso o Governo, através do Ministério da Administração Interna, não solucione as reivindicações da classe. “Vamos ter um programa de admissões nas forças de segurança que permita o seu rejuvenescimento“, garantiu o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, em declarações citadas pelo Correio da Manhã.

O ministro tinha-se reunido na semana passada com os sindicatos da PSP e na segunda-feira com a APG/GNR. Mas os representantes dos polícias resolveram manter a paralisação por considerarem que agendamento de reuniões negociais não significa uma resolução rápida dos problemas.

Cabrita afirmou esta quinta-feira que o Governo vai fazer “um balanço” para começar a trabalhar em soluções. Prometeu ainda que o regime de segurança e saúde no trabalho será reforçado para se adequar às funções de cada trabalhador.

Entre as reivindicações da classe policial e militar da GNR está o pagamento do subsídio de risco, a atualização salarial e dos suplementos remuneratórios e mais e melhor equipamento de proteção pessoal. Com o lema “tolerância zero”, a manifestação conjunta foi organizada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) e Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR).

Os polícias exigem também uma fiscalização das condições de higiene, saúde e segurança no trabalho e que seja cumprido o estatuto na parte referente à pré-aposentação aos 55 anos. A ASPP/PSP e a APG/GNR sublinharam que o novo Governo “não pode escudar-se na falta de conhecimento dos problemas nem desvalorizar as promessas feitas nos últimos quatro anos“, lamentando que, até ao momento, não tenha sido dada “uma palavra sobre o futuro destas instituições”.

André Ventura e Telmo Correia mostram apoio

O protesto começou às 13h no Marquês de Pombal, em Lisboa, seguido de um desfile pelas ruas Braancamp, Alexandre Herculano, Largo do Rato e São Bento, para uma concentração em frente à Assembleia da República, rodeada de um forte dispositivo policial. Aí, os milhares de manifestantes cantaram o hino nacional de costas voltadas para o Parlamento. Efetuaram depois um minuto de silêncio por volta das 16h45, em homenagem ao militar da GNR que morreu abalroado quando assistia um acidente na A42 em Paços de Ferreira.

Enquanto os polícias se concentravam à frente do Parlamento, alguns deputados juntaram-se aos manifestantes. Foi o caso do deputado único do Chega, André Ventura, que foi recebido com aplausos e gritos de “Ventura, Ventura”. Num curto discurso e envergando uma t-shirt do movimento Zero, garantiu-lhes que continuará a lutar pelos seus direitos.

“A polícia unida jamais será vencida”, disse. “Não queriam que aqui viesse, montaram uma barreira para impedir-nos de falar“, afirmou, numa referência às barreiras de cimento que reforçaram as barreiras de ferro que costumam separar os manifestantes da escadaria da Assembleia da República. A sua curta intervenção terminou com gritos de “Viva a polícia, Viva Portugal”.

Também o deputado do CDS-PP Telmo Correia garantiu apoio às forças de segurança, dirigindo “uma palavra de apreço e de respeito” aos manifestantes, segundo noticia a RTP. “Quando quiserem, estaremos cá para os ouvir, como sempre estivemos, e esperamos que todas as forças políticas estejam”, declarou, referindo que o CDS-PP entregou na quarta-feira três propostas que têm como objetivo melhorar as condições das forças de segurança.

A líder parlamentar do PAN, Inês Sousa Real, desceu igualmente para se juntar à manifestação, sendo que o BE, o PCP e a Iniciativa Liberal já tinham saudado os manifestantes anteriormente, mas numa altura em que ainda estavam concentrados na praça Marquês de Pombal, em Lisboa.

Os vários milhares de manifestantes concentrados em São Bento foram gritando, ao desafio da organização do protesto, slogans como “polícias unidos jamais serão vencidos”, ouvindo-se em pano de fundo uma música da banda Trabalhadores do Comércio com o tema “Chamem a polícia”. Pelas 18h já poucos manifestantes estavam concentrados em frente à Assembleia da República, tendo a manifestação sido dada como terminada e os manifestantes de fora de Lisboa começaram a dirigir-se para os autocarros que os transportaram.

Depois de terminada a manifestação, o “Movimento Zero” — criado nas redes sociais e que esta quinta-feira foi bastante visível no protesto — marcou para a praça do Comércio um “ato solene” a propósito dos confrontos entre forças de segurança naquele local, há 30 anos, quando elementos da PSP exigiam a constituição de sindicatos e foram repelidos pelos colegas do corpo de intervenção, num incidente que ficou conhecido como “secos e molhados”.

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