Moody’s compara negócios de seguros nos EUA e UE

  • ECO Seguros
  • 12 Dezembro 2019

Os blocos europeu e norte americano sofrem de fragmentação, devido a muitas legislações, critérios de solvabilidade diferentes. Um confronto entre os dois lados do Atlântico norte.

A Moody’s analisou a atividade seguradora nos Estados Unidos (EUA) e na União Europeia (EU), procurando avaliar a competitividade de ambas as regiões no setor. A fragmentação em ambos os mercados domina as análises, conduzindo a realidades semelhantes quanto a rentabilidade. Embora dominados por grupos seguradores gigantescos, a competição faz-se essencialmente ao nível doméstico o que nos EUA quer dizer estadual.

Não há excecionais ganhos de escala resultantes de dimensão em nenhum dos mercados. Se na União Europeia 27 Estados, significam 27 regulações e 27 entidades de supervisão, nos Estados Unidos a situação não difere muito. As leis pan-americanas permitem criar produtos de escala nacional, mas a maioria da regulação faz-se a nível estadual, o que significa – para quem opera nos Estados Unidos-, lidar com 56 regulações e reguladores.

Também os regimes regulatórios variam nos EUA e na UE. O regime Solvência II europeu é diferente do americano Risk Based Capital (RBC) e as tentativas de unificar os regimes de forma a serem aplicáveis a todos os grupos seguradores globais está a enfrentar obstáculos. Essa tentativa de unificação tem sido feita através da International Association of Insurance Supervisors (IAIS) mas, recentemente, fonte da National Association of Insurance Commissioners (NAIC), organização que junta os reguladores dos EUA, afirmou que “tinha preocupações significativas quanto à direção e à construção do novo regime unificador”.

As diferentes regulações são consideradas uma das causas para baixa penetração de empresas de um continente no outro. De facto, não há grupos seguradores americanos no top 5 em qualquer dos principais mercados europeus. Também não há europeus no top 10 de Não Vida nos EUA, e apenas a Aegon é exceção no top 10 em Vida nos EUA.

A Moody’s concluiu também que a rentabilidade dos ramos Não Vida não varia muito dos Estados Unidos para os principais mercados europeus. A análise foi profunda, de 2008 a 2017 nos EUA, Reino Unido (UK), França (FR), Alemanha (GE) e Itália (IT).

Os resultados indicaram que:

  • A taxa de sinistralidade variou entre 73,6% em França e 65,8% no RU. Nos EUA, 73%.
  • O rácio de despesas variou entre 35% no RU e 25,7% em França. Nos EUA, 28%.
  • A margem de subscrição (rácio combinado) variou entre 99,9% em França e 101,7% em Itália. Nos EUA, 101,8%.
  • O resultado líquido dos investimentos variou 10,7% na Alemanha e 8,6% no RU. Nos EUA, 10,5%.
  • No final, o retorno médio anual dos capitais próprios de Não Vida nestes 10 anos foi de 7,4% em Itália, 6,8% na Alemanha, 6,4% no RU, 6,2% nos EUA e 5,7% em França.

Embora com valores semelhantes, A Moody’s nota diferenças entre EUA e Europa: o rácio combinado é pior nos EUA, mas os resultados dos investimentos é maior. Isto deve-se, pelo lado negativo, às consequências das catástrofes naturais nos EUA e também por um diferente mix de produtos entre as regiões. Nos Estados Unidos existe uma maior proporção de negócio empresarial e de risco de longo prazo, tal como o de doenças prolongadas, cuja regularização implica longos períodos de tempo. Por esse motivo os seguradores precisam de conservar maior valor de reservas que acabam por gerar maiores resultados de investimento.

Crescimento económico e taxas de juro fazem a diferença em Vida

Apurar a rentabilidade nas seguradoras Vida na Europa é tarefa difícil, considera a Moody’s, porque nem todas as companhias fazem uma separação clara de Vida e Não Vida nos seus relatórios. Por outro lado a rentabilidade das seguradoras Vida nos EUA também é enganadora, pois sendo na sua maioria mutualistas tendem a transferir os lucros para os segurados. A agência apoia-se neste ponto na Swiss Re que concluiu que a rentabilidade das europeias se tem degradado, ao contrário das americanas quando na análise destas últimas forem excluídas as mutualistas.

A Moody’s refere então que a menor rentabilidade do ramo Vida na Europa se deve a um persistente período de baixa taxas de juro e um crescimento económico mais lento, situação que continua a afetar o ano de 2019. Em muitos países europeus as seguradoras Vida vivem de poupanças que são sensíveis ao nível de taxas de juro e este cenário afeta especialmente seguradores da Alemanha e Holanda que ofereceram, no passado, taxas garantidas em produtos poupança de longo prazo, pelo que manter-se o atual cenário, a sua rentabilidade baixará e começará a afetar o seu capital. Já neste aspeto, os EUA têm uma maior diversificação, com maior peso nos produtos de proteção como acidentes pessoais com inclusão do risco de morte.

A análise da agência de rating termina com a análise das resseguradoras, setor em que a Europa domina e onde, segundo a Moody’s, compete com os EUA, dado que os produtos são mais similares em todo o mundo. Se os europeus não beneficiam especialmente das linhas de negócio que exploram, tendem a ser mais diversificado geograficamente e por produtos. O facto de os grupos europeus serem ativos simultaneamente em Vida e Não Vida e no mercado primário e de resseguro, traz maiores estabilidade nas receitas, conclui a Moody’s.

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