BRANDS' ECOSEGUROS O paradoxo da escolha no investimento em inovação

  • ECOseguros + EY
  • 23 Dezembro 2019

Rúben Olival, manager, EY, Financial Services, fala da necessidade de o setor dos seguros se adaptar à vaga de inovação e digitalização sem perder o foco no essencial da sua atividade.

Muito se tem falado e escrito acerca das transformações a que se tem assistido nos últimos anos, e que abalaram profundamente a quase totalidade dos setores tradicionais da economia, tendo como face mais visível, falando de forma simplista, a alteração da forma como o “produtor” interage com o “consumidor”.

Estas transformações têm um impacto significativo na alteração do mindset de muitas indústrias e setores mais tradicionais, que passaram de um paradigma em que esta vaga de digitalização e inovação era um mal com o qual tinham de conviver, para um contexto em que a mesma é uma prioridade inquestionável, sob pena do definhar das próprias indústrias.

O setor dos seguros não passou ao lado desta tendência, sendo cada vez mais significativo o investimento em inovação e digitalização por parte das seguradoras, seja através de desenvolvimento interno, aquisições ou parcerias com insuretech.

Com efeito, o investimento em insuretech nos primeiros nove meses do ano de 2019, de cerca de 4,36 mil milhões de dólares, já ultrapassou o investimento total de 2018, de cerca de 3,18 mil milhões de dólares.

Dos inúmeros exemplos práticos que existem de transformação digital no setor, destacam-se alguns direcionados para as atividades internas da seguradora, tais como a utilização de drones na avaliação de sinistros e a robotic process automation (RPA), que se traduz na utilização de um robot (algoritmo) em “substituição” de um utilizador na realização de tarefas repetitivas e simples, quer no processo de subscrição, quer na gestão de sinistros, permitindo ganhos de eficácia e eficiência no negócio.

Noutra vertente, existem também novas soluções para a forma como as seguradoras interagem com os tomadores, nomeadamente através da utilização de novos canais de distribuição, como as aplicações móveis, que permitem a criação de produtos cada vez mais segmentados. Exemplo disso são os seguros “usage based”, que permitem que o tomador apenas pague/ative a cobertura quando está efetivamente exposto ao risco.

Esta transformação não está isenta de desafios. A abundância de opções à disposição das seguradoras no que toca ao investimento em inovação, traz por si só custos associados à decisão de investir, tanto temporais como financeiros, naquilo que pode ser entendido como um paradoxo de escolha.

 

As companhias de seguros devem analisar aquela que é a sua proposta de valor ao cliente, quais os problemas que se propõe resolver e qual a forma mais eficaz de o fazer, consumindo o menor número de recursos possíveis e maximizando a experiência do cliente. No negócio segurador, isto associa-se muitas vezes à redução de burocracia, resolução mais célere dos sinistros e tarifação mais adaptada às necessidades individuais.

Com efeito, a modernização e transformação digital de uma seguradora não deve ser encarada como um fim em si, mas como um meio de apoio à tomada de decisão dos processos críticos da Companhia, que permita endereçar as temáticas acima e não só.

 

Esta transformação exige que toda a Companhia evolua na mesma direção, sendo essencial que esta solidifique as alianças com os seus parceiros chave, tanto os já existentes (reguladores e outros), como os mais recentes, nomeadamente parcerias tecnológicas.

Exige igualmente uma reconfiguração das suas atividades core, nas quais deve incluir processos que permitam fazer uso efetivo destas parcerias e investimentos, bem como, e não menos importante, qualificar os recursos humanos e transmitir uma mensagem vinda do topo das hierarquias acerca de importância destes processos para a capacidade da Companhia continuar a crescer no mercado.

É fulcral que as seguradoras continuem o caminho que iniciaram de inovação e digitalização, sem nunca perder o foco no essencial da função que tem a indústria seguradora.

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