BRANDS' ECOSEGUROS Desafios e oportunidades da indústria seguradora até 2022

  • ECOseguros + EY
  • 22 Janeiro 2020

Carla Sá Pereira, Associate Partner, EY, Advisory Financial Services, resume os desafios e as oportunidades futuras da indústria seguradora, com base no estudo "2020 European Insurance Outlook".

Barreiras persistentes ao crescimento, recessão iminente, alterações demográficas, crescimento inegável das expectativas dos clientes e escassez de talento são alguns dos fatores identificados no recente estudo da EY “2020 European Insurance Outllook”* que caracterizam o ambiente complexo e os importantes desafios em que a indústria seguradora europeia se encontra a operar.

As taxas de juro baixas e o fraco crescimento económico são os principais desafios ao crescimento, em particular para as seguradoras Vida. Para além das taxas de juro europeias, que se mantêm baixas há vários anos, o crescimento económico na Europa tem estado anémico, e neste ambiente é pouco provável que os rendimentos individuais e os gastos públicos e privados cresçam. Assim, as necessidades da sociedade por produtos de seguro são maiores do que nunca. Neste sentido as seguradoras necessitam de desenvolver novas propostas.

"Existe uma vantagem considerável para as seguradoras que conseguem levar a cabo projetos de transformação digital com sucesso e que aproveitam as oportunidades oferecidas pela cloud.”

Por outro lado, a diminuição e envelhecimento da população europeia constituem desafios reais para as seguradoras Vida e Não Vida. Enquanto no ano 2000 16,6% da população tinha mais de 65 anos de idade, estima-se que esta percentagem passe para 28% em 2040 (fonte: Oxford Economics). O elevado número de pessoas a entrar na reforma e o crescente aumento de necessidades de cuidados de saúde, assim como taxas de desemprego elevadas das gerações mais novas, colocam pressão sobre os recursos sociais.

À medida que os governos recuam na concessão de pensões e a confiança no governo parece diminuir entre os cidadãos, as seguradoras têm oportunidade de desenvolver novos produtos que possam preencher o gap e dar a segurança que muitos consumidores procuram. Tendo presente que os millennials e as gerações mais novas adiam o casamento, a compra de casa, de entre outros marcos tradicionais, a sua relação com os seguros não irá seguir a mesma trajetória e os timings das gerações anteriores. As gerações futuras podem naturalmente gravitar em torno de novos players do setor, sejam digitais ou gigantes tecnológicos.

O futuro do setor Não Vida

O negócio Não Vida na Europa tem estado estagnado nos últimos 5 anos. Segundo dados da Swiss Re (publicação Sigma), os prémios brutos emitidos em 2013 foram de 685 mil milhões de dólares, crescendo para apenas 686 mil milhões em 2018, mantendo-se a mesma taxa de penetração nos dois anos em 2,8%. É de destacar que indicadores como o rácio de despesas e o rácio combinado se mantiveram também inalterados, situando-se nos 29% e 95% respetivamente (fonte: S&P Global Market Intelligence).

Conscientes dos desafios de base, existe uma noção difundida nos gestores sobre a necessidade de experimentar abordagens novas e diferentes, começando por ganhar um maior conhecimento dos clientes e adotar novas formas de acrescentar valor. O crescente interesse em ecossistemas reflete que a necessidade de inovação não esteve inteiramente subordinada à necessidade de reduzir custos. Ainda assim, o equilíbrio entre a otimização do custo e o investimento na inovação será difícil de alcançar.

Balancear as necessidades atuais e as oportunidades futuras é também desafiante. Existe uma vantagem considerável para as seguradoras que conseguem levar a cabo projetos de transformação digital com sucesso e que aproveitam as oportunidades oferecidas pela cloud. Os benefícios irão incluir experiências enriquecedoras, maior foco no cliente e posição competitiva mais forte relativamente a Insurtech e outros players não tradicionais. É claro que a digitalização aumenta a exposição aos cyber risks, o que significa que as seguradoras deverão reforçar os seus frameworks de cibersegurança.

Neste ambiente complexo, os vetores identificados no estudo da EY que estão a transformar o negócio Não Vida até 2022 são:

  • Digitalização das vendas e da distribuição;
  • Ganhar a guerra pelo talento;
  • Atingir eficiência dos custos;
  • Gerir a pressão regulamentar persistente;
  • Ter um papel ativo na gestão da sustentabilidade e das alterações climáticas.

Assim, no negócio Não Vida é imperativo:

  1. Reequacionar o processo de vendas e habilitar o agente do futuro;
  2. Focar na força de trabalho;
  3. Encontrar a interceção entre compliance, eficiência de custos e vantagem competitiva;
  4. Investir para a eficiência de custos e para a inovação;
  5. Definir a estratégia para a sustentabilidade e alterações climáticas.

O futuro do setor Vida

No negócio Vida, um problema maior reside na circunstância de a maioria dos produtos daquele segmento de negócio já não serem muito atrativos para os consumidores devido à falta de retorno. Esta realidade significa que várias seguradoras Vida devem priorizar estratégias de gestão de custos e a migração de clientes para produtos baseados em fees. Os produtos unit-linked estão assim a ganhar importância, mas ao mesmo tempo são menos atrativos em ambientes de recessão. Coletivamente, estes fatores estão a forçar algumas seguradoras a questionar se os seus modelos de negócio atuais e as suas carteiras de produtos estão adaptadas ao futuro.

Com pressão em ambos os lados do balanço, o crescimento de curto prazo do negócio é extremamente desafiante para as seguradoras Vida. O sucesso futuro depende da sua habilidade em desenvolver produtos e serviços inovadores, melhorar a experiência do cliente e incrementar a eficiência operacional pela utilização de tecnologias modernas.

No que se refere ao negócio Vida, os vetores que estão a condicionar o setor até 2022, identificados no estudo da EY são:

  • Gerir a pressão regulamentar persistente;
  • Digitalização das vendas e da distribuição;
  • Atingir a eficiência dos custos;
  • Promover a alavancagem da internet of things e seguros connected;
  • Promover a saúde financeira.

Neste ambiente, para o negócio Vida é essencial:

  1. Repensar a proposta de valor ao nível das novas tecnologias;
  2. Definir uma estratégia para a otimização do papel e da estrutura financeira e atuarial;
  3. Digitalização da distribuição como parte de uma experiência multicanal continuada;
  4. Ter uma visão holística da otimização dos custos

A visão da EY NextWave representa a perspetiva da EY sobre as principais tendências e forças que condicionam o futuro do setor. O processo junta líderes de pensamento estratégico da EY, do setor e profissionais e tecnólogos, assim como especialistas externos e académicos. Em workshops de criação colaborativa, estes grupos ajudam os clientes a perspetivar um futuro melhor e a traçar o caminho a tomar.

*Os “EY Insurance Outlooks” apresentam a antevisão dos assuntos-chave que condicionam o setor segurador num futuro próximo (três anos) e complementam as séries NextWave, que têm uma perspetiva de mais longo prazo (5 anos e para além).

Se tem interesse em receber comunicação da EY Portugal (convites, newsletters, estudos, etc), por favor clique aqui.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Desafios e oportunidades da indústria seguradora até 2022

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião