Coronavírus: Maiores resseguradoras europeias têm 8 000 milhões de euros expostos ao risco de pandemia

  • ECO Seguros
  • 26 Janeiro 2020

As quatro maiores companhias europeias de resseguros somam perto de 8 000 milhões de euros de exposição conjunta ao risco de pandemia pelo novo coronavírus da Ásia.

A Munich RE, Swiss RE, Hannover RE e SCOR, reconhecidas como as quatro maiores resseguradoras da Europa (excluindo o mercado britânico) e, pela mesma ordem figurando como 1ª; 2ª; 4ª e 6ª maiores do mundo, segundo um ranking da AM Best tendo por critério o volume bruto de prémios ressegurados no setor não Vida, adiantam uma estimativa conjunta do risco provocado pelo Coronavírus que se está a espalhar a partir da China.

Quanto aos níveis de exposição ao risco resultante desta pandemia , uma pesquisa do banco de investimento Morgan Stanley (sempre com base em dados de 2018) refere que a Munich RE registava 2,3 mil milhões de euros relativos a resseguro de prémios na Ásia, através da sua divisão vida e saúde (L&H na sigla em inglês). Este valor, distribuído em 60% por doença e o restante pela cobertura do risco de mortalidade, representava 5% do montante de prémios brutos ressegurado pelo grupo alemão.

Para a Swiss RE são estimadas perdas potenciais de 2,8 mil milhões de euros relacionadas com a eventual mortalidade causada por uma pandemia.

Por seu lado, a Hannover RE – sem dados sobre o grau de exposição a eventuais pandemias – terá 1,37 mil milhões de euros na carteira asiática de prémios brutos contabilizados na sua divisão L&H.

Por fim, para a SCOR, a exposição à Ásia no negócio L&H ascende a 1,2 mil milhões de euros.

Estes valores correspondem ao total das carteiras de resseguro (vida e saúde) na Ásia, cuja tomada se distribui por coberturas com maior ou menor risco (morte; poupança e reforma; soluções financeiras, etc.)

No entanto, com a exposição conjunta das quatro entidades de resseguro a ascender a cerca de 7,7 mil milhões de euros, os especialistas referem que parte importante dessas carteiras incorpora o risco de doenças críticas, a área de seguros mais populares na China.

Epidemia ‘grave’ está a ‘acelerar’, reconhece Presidente da China

A epidemia é causada pelo vírus inicialmente designado «2019-nCov», identificado como um novo coronavírus (causador de sintomas semelhantes a pneumonia viral), tendo sido notificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) há cerca de duas semanas, como tendo origem na cidade chinesa de Wuhan, na província de Hubei. Entretanto, o surto já ultrapassou as fronteiras da China propagando-se a países vizinhos (Singapura; Japão; Malásia, Coreia do Sul, Vietname, Tailândia, EUA entre outros) e já chegou à Europa, com três casos de contágio diagnosticados como positivos em França.

O presidente da China Xi Jinping já admitiu que a “epidemia” do novo coronavírus “é grave” e a sua propagação “está a acelerar”: o balanço na China eleva-se a 41 vítimas mortais, com mais de 1300 pessoas infetadas, segundo números divulgados por agência de notícias internacionais este sábado. Mais de 50 milhões de pessoas de várias cidades na província de Hubei estão de quarentena, das quais 11 milhões são habitantes de Wuhan, agora uma cidade deserta, encontram-se isolados do mundo desde a passada quinta-feira.

Enquanto a OMS afirma que é prematuro declarar a epidemia como emergência de saúde pública internacional, os mercados financeiros (bolsas de valores mobiliários) começam a pesar eventuais consequências de uma pandemia.

Publicações do Banco Mundial e do FMI sobre este tipo de riscos estimam o impacto económico de um surto global, mas referem sempre que, a verificar-se alguma pandemia, as consequências dependem da sua duração no tempo. Por isso, qualquer estimativa de perdas potenciais relacionadas com pandemias será uma projeção relativa.

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