CEO da QBE critica «quase vergonhosa» falta de tecnologia disruptiva nos seguros

  • ECO Seguros
  • 3 Fevereiro 2020

É «quase uma vergonha» que as seguradoras se sintam ameaçadas pelas startups sediadas em Londres ou na Costa Oeste (EUA), afirma o CEO da QBE, criticando a falta de tecnologias disruptivas no setor.

“Não me parece que a nossa atividade esteja iminentemente ameaçada pelas startups (…), o que de certa forma é quase uma vergonha“, afirmou Pat Regan acrescentando que falta à indústria a capacidade de “inovar rápido” e “falhar rápido”.

Falando aos participantes do «Insider London», um evento promovido pela publicação The Insurance Insider, Pat Regan lamentou que o setor de seguros não tenha ainda sofrido perturbações tecnológicas originadas por startups: “É uma pena”, notou o presidente executivo da QBE, explicando que a indústria não está a movimentar-se com rapidez suficiente para lidar com os potenciais desafios colocados pela velocidade da mudança tecnológica.

De acordo com Regan, no setor de seguros não existe nada comparável à disrupção causada por empresas como Netflix, Airbnb e Uber nos respetivos setores. Para o CEO do grupo australiano que opera em dezenas de países, é mais provável que a maior ameaça ao mercado tradicional de seguros venha de gigantes tecnológicos como a Apple, Google, Amazon (já investidora em seguradoras indianas) e Facebook (que decidiu entrar no setor das criptomoedas), do que de empresas emergentes.

“Embora haja uma ligação mais direta entre essas empresas e os pagamentos, não é um salto muito grande pensar que elas podem entrar neste lado do mundo [indústria de seguros]”. Regan reconhece que as seguradoras demonstram vontade de inovar para enfrentar ameaças potenciais, investindo em startups, mas nada disso está a acontecer com a rapidez necessária. “Precisamos fazê-lo mais rápido, com diferentes tipos de pessoas, aprender a inovar mais”, reforçou Regan citado no The Insurance Insider.

Questionando se os produtos de seguro tradicionais manteriam a sua relevância no século XXI, Pat Regan desenvolveu: “Precisamos de fornecer produtos que as pessoas querem. Os nossos produtos têm a mesma aparência há 100 anos. As pessoas vão querer sempre comprar produtos relacionados com acidentes ou o tipo de coisas de que todos nós gostamos de falar? Provavelmente não”, admitiu.

Regan destacou a ameaça que as mudanças climáticas representam para o mercado, descrevendo o impacto dos recentes incêndios florestais australianos como “genuinamente apocalípticos”.

Os últimos números divulgados do Conselho de Seguros da Austrália apontam para perdas superiores a 1,1 mil milhões de dólares. O CEO da QBE duvida mesmo que alguma seguradora compreenda realmente o impacto total que as mudanças climáticas terão nas respetivas carteiras. “É difícil ter certeza absoluta (…)”, admitiu.

Na perspetiva de Regan, o setor deve desempenhar um papel fundamental na procura de soluções para as mudanças climáticas: “Temos quase a obrigação de desempenhar um papel significativo no crescimento das energias renováveis em todo o mundo”, concretizou.

A australiana QBE, segundo maior grupo segurador na Austrália, é uma companhia mais do que centenária e, presentemente, está ativa em 37 países. Em Portugal, está licenciada em regime de livre de serviços (LPS) para o ramo não Vida e opera no mercado ibérico através da sucursal espanhola da QBE Insurance Europe.

Patrick (Pat) Regan juntou-se à QBE em 2014 e foi nomeado CEO em 2018. Antes, acumulou experiência em outras companhias do setor como Aviva Plc, Willis, AXA e RSA.

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