Portugal no ‘Top20’ europeu de talento e investimento tecnológico

  • ECO Seguros
  • 4 Fevereiro 2020

Portugal é um dos 19 destinos europeus que mais dinheiro captou para inovação tecnológica em cinco anos, sendo ainda o 18º em número de talentos numa Europa onde se destaca o fintech.

Nos últimos cinco anos, as tecnológicas portuguesas atraíram 730 milhões de euros de financiamento acumulado, revela o relatório «The State of European Tech 2019». O melhor ano de colheita em investimento no país foi 2018, com 418 milhões de dólares investidos em tecnologia, sucedendo um declínio para 141 milhões no ano seguinte, de acordo com dados até setembro último disponibilizados no estudo.

No ano passado, as maiores comunidades de inovação tecnológica estavam distribuídas por Lisboa, Porto e Braga. O país contava 93 800 profissionais desenvolvedores (quase 7 mil mais do que em 2018), ocupando o 18º lugar no ranking de talento da Europa. As 56 rondas de financiamento contabilizadas nos primeiros nove meses de 2019 posicionam Portugal entre os 17 hubs mais ativos da Europa.

O movimento local de insurtech – a que o ECO Seguros dedica um dossiê Especial – revela-se dinâmico, com tecnologia validada no mercado ou junto de incumbentes, rondas de financiamento, startups a abordarem o mercado e outras já em fase de consolidação e crescimento no mercado local e internacional.

A Fintech Portugal, organização não lucrativa apostada na promoção do setor, elaborou em 2019 uma lista com o Top 30 das fintechs portuguesas. Entre estas, pelo menos cinco são insurtechs ativas no mercado.

Fonte: Portugal Fintech

O setor fintech é o que mais dinheiro atrai na Europa, revela ainda o estudo europeu coordenado pela Atomico (sociedade de venture capital) em parceria com a Slush (associação non-profit que apoia e promove milhares de jovens empreendedores pela Europa) e a Orrick (consultora especialista em regtech), contando ainda com as contribuições de duas dezenas de empresas e organizações.

Fonte: Dealroom. «Sttate of European Tech 2019»

Em volumes de investimento, o fintech europeu destaca-se largamente de outros setores em processo de inovação, canalizando mais de 9 mil milhões captados em 2019 e mais de 24,7 mil milhões de dólares acumulados entre 2015 e 2019, indica o relatório.

Ainda, entre 2018 e 2019, os verticais tech de vocação financeira registaram o maior acréscimo anual (cerca de 3,9 mil milhões), face a à evolução de outros setores (software de gestão; energia; saúde e alimentação).

O relatório traça um panorama detalhado dos hubs mais dinâmicos da Europa; localizando os destinos que os empreendedores preferem para se estabelecerem e explica porquê; estimando montantes de investimento por geografia; identificando o perfil de quem investe e sinalizando o interesse crescente por parte de investidores da Ásia e dos EUA, além de permitir analisar a evolução do movimento tecnológico face a temas como inclusão e paridade de género.

Portugal entre 20 maiores no investimento em deep tech

Mesmo na designada deep tech, tendência que se diferencia pelo esforço conjunto de cientistas (comunidade académica) e empreendedores de elevado potencial, a Europa revela um impulso assinalável (8,4 mil milhões de dólares aplicados em 2019), também aqui liderado pelo Reino Unido e com destaque para as áreas de inteligência artificial e big data.

Neste capítulo, Portugal integra igualmente o top20 da Europa, com investimento recebido a atingir 99 milhões de dólares em 2019, igualando o montante acumulado nos quatro anos anteriores.

Nos últimos cinco anos, de acordo com dados da Dealroom.co, um dos parceiros que participou na produção do estudo, o investimento global recolhido pelas tecnológicas europeias atingiu 34,3 mil milhões de dólares em 2019 evidenciando crescimento de 124% face aos 10 mil milhões de 2015. Os cinco anos do relatório somam 113 mil milhões e, entre 2018 e 2019, o acréscimo observado foi superior a 39%. Só no ano passado, 36% dos recursos financeiros levantados pelas tecnológicas europeias foram obtidos em rondas de montante superior a 100 milhões de dólares.

Fonte: «State of European Tech 2019»

Entre as cidades com mais startups financiadas desde 2015, Londres assume a liderança, com cerca de 2 750 empresas únicas a receberem investimento, seguindo-se Paris (1183); Berlim (930) e Estocolmo (776 ) e Amesterdão (457). Destacando-se entre os demais hubs concorrentes, o Reino Unido canalizou 50% do investimento dirigido a fintech na Europa durante 2018.

O extenso estudo sugere que o acesso a recursos financeiros tem evoluído de forma positiva e não se perspetiva que a atual disponibilidade se altere, indicam os inquéritos realizados junto de founders. No entanto, especialistas que participaram no estudo admitem a insuficiência de capital, em particular para tecnológicas que se encontram em fases mais avançadas de desenvolvimento.

Além de venture capital e do interesse crescente de investidores LP (limited partnership), os empreendedores europeus podem aceder a fundos europeus (da UE e do BEI) e instrumentos públicos nacionais de apoio ao empreendedorismo acessíveis através de vários programas, como por exemplo o eTech Portugal.

Fonte: Dealroom.co. «State of European Tech 2019»

No gráfico em cima (países entre 11ª e o 20º lugar) Portugal surge como o 19º destino europeu com mais investimento. Entre os fatores que tornam Portugal um polo competitivo destacam-se o potencial de talento disponível; os baixos custos de vida e de estabelecimento; ambiente regulatório aberto e disponível para se adaptar à nova realidade tech; a estabilidade política e do quadro fiscal; clima e cultura.

O quadro seguinte sintetiza o sucesso do primeiro evento que implementa a interação entre a comunidade de empreendedores fintech e os reguladores do setor.

Fonte: Portugal Finlab


O relatório – que faz o balanço da 1ª edição do Finlab Portugal, realizada em 2019 e patrocinado pelos reguladores (Banco de Portugal, CMVM e ASF em parceria com a Fintech Portugal) – saúda a evolução que está em curso mas, ao refletir a opinião de representante de um dos reguladores, não refuta que o panorama de inovação tecnológica em Portugal é ainda incipiente. Até amadurecer, precisa de reter talento local e manter as condições de atração de expertise externo.

Quanto a unicórnios, a única tecnológica portuguesa que maior projeção alcançou, em termos de valorização e reconhecimento internacional, é a Outsystems, passando a figurar na lista de unicórnios europeus de vocação fintech desde 2018. A Outsystems, que já não é uma startup por ter sido criada há perto de 20 anos, posiciona-se – segundo analistas – entre as líderes globais no desenvolvimento de plataformas low-code.

Pela Europa, existem atualmente 174 tecnológicas com estatuto de unicórnio (startups com valorização superior a mil milhões). Destas, 99 são empresas apoiadas por venture capital, indicam fontes especializadas.

Insurtech: investimento global e posição da Europa

No que respeita ao investimento exclusivamente dirigido à inovação Insurtech, dados reunidos por uma plataforma norte-americana especializada em informação e análise da indústria seguradora (Coverager.com) para o mercado global indicam que o setor segurador foi destino de 5,59 mil milhões de dólares em 2019. Esta fonte exclui o investimento realizado pelas próprias seguradoras; financiamento obtido por via de instrumentos de dívida; private equity (sociedades de capital de risco); rondas depois de ofertas públicas iniciais (IPO) e operações em mercado secundário.

Fonte: Coverager

Quanto aos montantes de investimento por linhas de negócio (sigla LOB), a Coverager indica os ramos de seguros patrimoniais e acidentes (P&C) como os de maior volume de investimento, seguindo-se os seguros saúde e os produtos multirriscos.

Analisando a distribuição geográfica dos investimentos em tecnologia para seguros, os EUA representam o destino mais importante, absorvendo 68% do total, ou 3,8 mil milhões de dólares, seguindo-se ‘Outros’ com 17% do total e o bloco europeu com uma fatia de 15%, a corresponder a 862 milhões de dólares.

Fonte: Coverager

As campeãs norte-americanas Root e Lemonade, ambas fundadas em 2015 e a escalar o ramo de seguros (sobretudo património e acidentes), levantaram em conjunto 650 milhões (350 milhões de dólares pela Root em ronda ‘série E’ e 300 milhões pela Lemonade em ronda ‘série D’).

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