Fundo de pensões do Japão ‘foi ao tapete’ com impacto do coronavírus

  • ECO Seguros
  • 5 Abril 2020

Cerca de 155 mil milhões de euros num trimestre, foi quanto perdeu o maior fundo de pensões do mundo em resultado da exposição ao mercado de capitais, por sua vez infectado pela covid-19.

A estimativa é da Nomura Securities, departamento de valores mobiliários do banco nipónico. A agência que gere o Fundo de Investimento de Pensões do Japão (GPIF na sigla anglo-saxónica) viu evaporarem-se da sua carteira 18 biliões de ienes (153 mil milhões de euros) nos primeiros três meses de 2020 (último trimestre fiscal no Japão para o exercício 2019-2020).

O fundo que gere o saldo do sistema de pensões de reforma do país averbou resultado negativo recorde explicado pelo abalo sentido nos mercados de capitais e que desde então minou as perspetivas do cenário económico global. Como se de um golpe de artes marciais se tratasse, o knock-out aconteceu no período em que a volatilidade nas bolsas internacionais tocou níveis recorde, por causa do impacto do coronavírus nos mercados financeiros.

O rombo na carteira do GPIF anula os cerca de 80 mil milhões de euros (9,4 biliões de ienes) que o fundo trazia de ganhos até final do seu 3º trimestre e antecipa perda efetiva de aproximadamente 73 mil milhões de euros (8,6 biliões de ienes) para o exercício 2019-2020 encerrado a 31 de março. A confirmar-se, o impacto da pandemia covid-19 impõe ao GPIF a primeira perda anual dos últimos quatro anos.

“O choque do novo coronavirus não perdoou”, avança a agência de notícias Nikkei citando Norihiro Takahashi, chief investment officer (CIO) em fim de mandato no GPIF.

A maior fatia das perdas (10,6 biliões de ienes) veio da aposta de investimento em ações estrangeiras, enquanto o mercado bolsista japonês pesou 7,6 biliões negativos (por desvalorização de ações cotadas) e cerca de 100 mil milhões de ienes em obrigações domésticas (dívida do Japão). Cerca de 300 mil milhões de ienes de retorno positivo em obrigações estrangeiras não chegaram para compensar o abalo, detalha Masahiro Nishikawa, analista chefe da Nomura Securities.

Takahashi, que entretanto será substituído no cargo de CIO por Eiji Ueda (ex-Goldman Sachs), explicou que os objetivos do fundo eram de longo prazo. No futuro próximo, a agência que gere os investimentos do fundo japonês deverá prosseguir a estratégia de alocar mais recursos (até 50% da sua carteira) em títulos estrangeiros, “um movimento que aumentará a sua exposição à volatilidade”.

No entanto, Nishikawa assume que, dado os ativos mobiliários estrangeiros negociarem atualmente em baixa, este é o momento de tomar posições mais arriscadas. Outros analistas advertem que, se o fundo apostar exclusivamente em obrigações nipónicas “estará seco em 2060”, comprometendo assim o pagamento de pensões aos reformados japoneses, reporta o canal Nikkei Asia Review.

O GPIF é considerado o maior fundo de pensões do mundo, gerindo cerca de 166 biliões de ienes em ativos (cerca de 1,4 biliões de euros). Este fundo de previdência recolhe contribuições de contribuintes líquidos para pagar pensões a reformados beneficiários. O saldo entre entradas e saídas é investido pelo fundo de reserva com objetivo de gerar retornos que, no longo prazo, ajudem à sustentabilidade do sistema japonês de pensões.

Quanto às mudanças no topo da hierarquia, além da saída de Takahashi, que se reforma em final de mandato. Masataka Miyazono vai substituir Hiromichi Mizuno na presidência do fundo governamental, reporta a imprensa nipónica.

 

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