Neeleman vende ações da Azul para pagar dívida à banca

  • ECO
  • 14 Abril 2020

O acionista privado da TAP, David Neeleman, vendeu uma parte das ações da companhia que controla no Brasil para pagar um empréstimo, mas continua a dominar a Azul.

David Neeleman vendeu durante o mês de março mais de nove milhões de ações sem voto da companhia aérea brasileira Azul para liquidar um empréstimo pessoal de 30 milhões de dólares que tinha como garantia os títulos da companhia. Ainda assim, garante o empresário, esta venda não altera a posição de domínio que tem na Azul com mais de 600 milhões de ações com direito a voto, ou seja, cerca de 67% do capital com voto.

A notícia foi avançada pelo Brazil Journal, e levou a companhia Azul a fazer um comunicado ao mercado. “David Neeleman, fundador e acionista controlador da Azul, esclarece que havia feito um empréstimo pessoal em 2019 no valor de 30 milhões de dólares (cerca de 27 milhões de euros) usando como garantia parte das suas ações da Azul, dado que ele não tinha intenção de vender suas ações da Azul por acreditar em seu potencial”. Mas com a queda das ações da Azul, resultado da crise da pandemia do novo coronavírus, foi obrigado a cobrir a diferença face ao valor do empréstimo. A queda das ações “ocasionou uma chamada de margem no empréstimo, e devido à velocidade do movimento e o facto de ele ter outros investimentos no setor sem liquidez como TAP e Breeze, não houve tempo para levantar a liquidez adequada”.

A decisão de Neeleman de vender as ações da Azul — mesmo as ações sem voto — pode ser um indicador do que se poderá passar em Portugal com a TAP. Neeleman é o maior acionista da Atlantic Gateway, o consórcio privado que tem 45% da TAP, enquanto o Estado tem 50% e os outros 5% estão nas mãos dos trabalhadores. É que já é claro que a TAP vai precisar de capital e se for apenas o Estado a injetar capital, na prática vai haver uma nacionalização da companhia. Já esta semana, aliás, Mário Centeno e António Costa não excluem a possibilidade de nacionalização da TAP.

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