Juro do stock da dívida portuguesa caiu para 2,5% no ano passado

Com o custo das novas emissões a cair para próximo de 1%, a taxa de juro média da totalidade da dívida caiu 0,3 pontos percentuais face a 2018. Covid-19 já determinou, no entanto, uma inversão.

Portugal nunca se financiou a custos tão baixos como no ano passado e, sabe-se agora, que a totalidade da dívida (nova e já existente) também teve um juro médio mais baixo. A taxa de juro média do stock da dívida pública nacional situou-se, em 2019, em 2,5%, segundo os últimos dados da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP.

Os dados divulgados pela entidade liderada por Cristina Casalinho correspondem a um novo mínimo desde, pelo menos, 2010, quando começam os registos. O valor compara com a taxa de juro média de 2,8% registado em 2018 e com os máximos de 4,1% pedidos pelos investidores em 2011, no pico da crise financeira e no ano em que Portugal pediu o resgate à troika.

Desde então que o custo médio da dívida pública tem vindo a cair, em particular com a quebra nos juros da nova dívida e a estratégia de reforçar emissões para reembolsar de forma antecipada títulos mais caros.

O custo da dívida apenas da nova dívida fixou-se em 1,1%, no ano passado, graças às condições externas favoráveis dos mercados financeiros — com destaque para os estímulos monetários do Banco Central Europeu (BCE) — bem como o reforço da confiança de investidores e agências de rating na capacidade financeira de Portugal.

Covid-19 troca as voltas

Depois das fortes quedas nos juros da nova dívida ao longo do ano passado, a tendência manteve-se no arranque de 2020. Entre janeiro e março, o país pagou um juro médio de 0,4% para emitir obrigações de Tesouro (OT) e bilhetes do Tesouro (BT). No entanto, a pandemia de Covid-19 determinou uma inversão na tendência.

Com as economias paradas e os países a precisarem de se financiar devido à crise pandémica, os juros das dívidas sobem. Os dados do IGCP foram conhecidos no mesmo dia em que Portugal esteve nos mercados para emitir títulos a seis e dez anos.

A taxa de juro benchmark de Portugal quase triplicou face ao último leilão de dívida a dez anos. Isto depois de Portugal ter voltado a pagar para colocar títulos de curto prazo, o que não acontecia desde 2016 e depois de ter sido alvo de uma revisão em baixa do outlook de rating pela agência Fitch.

O boletim divulgado esta sexta-feira indica ainda que o saldo da dívida direta do Estado ascendeu a 253.431 milhões de euros no final de março, uma subida de cerca de 1% face aos 251.012 milhões registados no final de 2012. Destes, mais de 50 mil milhões de euros ainda são do empréstimo da troika.

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