TAP precisa de 600 milhões a 700 milhões de euros

Pedro Nuno Santos desafiou os privados a dizerem a verdade sobre as necessidades financeiras da TAP. As contas estão feitas, e a companhia precisa de 600 milhões a 700 milhões de euros.

Pedro Nuno Santos foi ao Parlamento e desafiou os acionistas privados da TAP a revelarem o verdadeiro valor das necessidades financeiras da companhia aérea, deixando implícito que os 350 milhões a 400 milhões de euros anunciados por Humberto Pedrosa estão aquém do valor real. E segundo apurou o ECO junto de duas fontes da TAP, serão necessários 600 milhões a 700 milhões de euros para assegurar o cumprimento dos compromissos da companhia, e num cenário de regresso à atividade no segundo semestre do ano.

A TAP está, literalmente, em terra, avançou para um lay-off de cerca de 90% dos trabalhadores e está agora em negociações com o Governo para uma capitalização da empresa para garantir o “caixa”, leia-se tesouraria, a partir de junho. Recentemente, Humberto Pedrosa afirmou ao ECO que a TAP precisaria de um empréstimo com garantia de Estado entre 350 milhões e 400 milhões de euros, mas admitia, também, a necessidade de um aumento de capital em 2021. Só que o Governo, seja através do ministro Pedro Siza Vieira ou do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, já fez saber que não está disponível para uma operação em dois momentos. E é a soma destas duas operações que explicam as necessidades financeiras “revistas e aumentadas” da TAP.

Qualquer que seja a operação financeira, de aumento de capital ou de emissão de obrigações convertíveis em ações — à semelhança do modelo seguido para a recapitalização dos bancos no pós 2011 –, será feito de uma vez, e no contexto de uma mudança de governação da companhia. Foi, aliás, isso mesmo que o ministro das Infraestruturas fez saber esta quarta-feira no Parlamento. Pedro Nuno Santos notou que qualquer intervenção do Estado na companhia aérea “implicará que o Estado, através do Governo, acompanhe todas as decisões que serão tomadas nos próximos meses”. “A música agora é outra no que diz respeito à TAP”, reiterou, afirmando que “se é o povo português que paga, é bom que seja o povo português a mandar”.

A gestão da TAP está, agora, a aguardar por uma decisão do Governo, e aqui a assinatura de Mário Centeno é a decisiva por causa do impacto nas contas públicas. A TAP terá, neste momento, cerca de 300 milhões de euros de “caixa”, mas tem compromissos financeiros a cumprir, e por isso, precisa de uma injeção de dinheiro fresco durante o mês de maio ou, o mais tardar, no início de junho.

Pedro Nuno Santos fez também saber que a solução de mais um empréstimo não é que a TAP precisa, porque já tem um nível de endividamento elevado. Só no leasing dos aviões, a TAP tem um encargo anual de cerca de 400 milhões de euros. “A solução de dívida privada não é credível”. “Com uma dívida de 800 milhões de euros, e com a atividade toda parada, diz-me que um empréstimo de 350 milhões garantido vai resolver o problema?”, questionou, em resposta ao deputado do CDS, João Gonçalves Pereira. E deixou uma mensagem. “Os 350 milhões não resolvem o problema da TAP. Portanto, o privado que diga a verdade toda e de quanto precisa ate ao final do ano”. O ECO Insider — a newsletter semanal exclusiva para assinantes — já tinha revelado há duas semanas que as necessidades financeiras da TAP seriam superiores a 500 milhões de euros, valor posteriormente atualizado para 600 milhões a 700 milhões de euros com as perspetivas de recuperação lenta da economia ao longo de 2020.

O privado, isto é, a Atlantic Gateway, consórcio de David Neeleman e de Humberto Pedrosa que tem 45% da TAP, tem em cima da mesa outra carta para justificar o pedido de empréstimo em vez de uma solução de capital — que diluiria a sua posição acionista: Será mais fácil para um acionista privado renegociar os contratos de leasing da compra de aviões e pedir uma moratória à banca. “Só falta saber qual será a solução financeira [do Estado] para avançarmos com a proposta”, disse uma fonte não oficial da TAP ao ECO.

As necessidades de capital da TAP têm outra explicação. A quase totalidade da frota da TAP está parada, mas mesmo quando os voos forem retomados, são de esperar taxas de ocupação dos aviões relativamente baixas, na casa dos 25%, especialmente enquanto não houver uma solução definitiva, uma vacina, para a Covid-19. E esses voos vão exigir disponibilidades financeiras, porque vão gerar perdas.

Os acionistas privados da TAP tinham a expectativa de que o Governo poderia apresentar esta quinta-feira uma solução para a companhia, mas até ao final do dia de ontem não tinham tido qualquer informação que confirmasse esta possibilidade.

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