Liberty Mutual: efeito Covid-19 nas contas assemelha-se a “catástrofe de dimensão moderada”

  • ECO Seguros
  • 5 Maio 2020

A Liberty Mutual, companhia norte-americana com presença global em seguros e resseguro, recorre a uma analogia para descrever o impacto da covid-19 no balanço preliminar do primeiro trimestre.

A Liberty Mutual Holding Company, entidade que consolida as empresas do universo Liberty Mutual Insurance, adianta estimativas sobre os efeitos da crise pandémica nos resultados do seu primeiro trimestre fiscal, cujos números serão publicados a 14 de maio.

“Numa perspetiva financeira e enquanto a pandemia ainda está a evoluir, esperamos que o impacto da COVID-19 nas nossas operações de seguros seja semelhante ao que enfrentaríamos face a uma catástrofe de dimensão moderada”, afirma David Long, presidente e CEO da companhia norte-americana, citado em comunicado da instituição.

“No nosso negócio, as áreas mais expostas a perdas de seguros relacionadas com a pandemia e a consequente recessão económica incluem seguros de crédito comercial, responsabilidade geral, indemnizações de trabalhadores e cobertura de cancelamento de eventos, entre outras”, complementa Long. Mas, para qualquer uma destas linhas de negócio as perdas seriam inesperadas, uma vez tratar-se de áreas em que uma (re)seguradora com a dimensão da Liberty Mutual esperaria ver os prejuízos diminuírem, nota a empresa.

No comunicado, a holding antecipa que “o maior impacto da COVID-19 virá através da nossa carteira de investimentos”, rubrica em que a companhia reconhece perdas realizadas (e outras ainda não realizadas), “causadas pela recente queda do mercado financeiro”. Mas a instituição espera que as eventuais perdas – cuja contabilização em balanço pode afetar os capitais próprios e normalmente só aparecem nas contas do trimestre seguinte – surjam apenas nos resultados do segundo trimestre, mas sejam compensadas nos trimestres subsequentes.

A entidade realça ainda que a sua posição de liquidez “permanece excelente”, tanto em recursos de capital quanto em disponibilidades de tesouraria.

Confiando na robustez e resiliência com que enfrenta o atual contexto de incerteza, o grupo Liberty detalha, em termos preliminares, parte do que anunciará em meados de maio, e afirma que o montante líquido de prémios, estimado em 10 mil milhões de dólares, não foi materialmente afetado pela covid-19. Mas admite que esse impacto se torne mais evidente nos trimestres seguintes, também por causa da desaceleração global da economia.

Além de estimar o volume de prémios líquidos angariado nos primeiros três meses do exercício, a companhia antecipa que, no termo do primeiro trimestre, o rácio combinado se fixou em 97%, com perspetiva de alguma deterioração neste indicador de eficiência no segundo e terceiro trimestre.

Perspetivando riscos e incertezas no horizonte, a companhia afirma que o futuro depende da duração da pandemia e dos efeitos das medidas de contenção associadas à crise. O impacto destas condições é difícil de prever, considera a companhia admitindo que a operação e o negócio segurador possam ser afetados por perturbações:

– nas operações comerciais devido às condicionantes de confinamento e do trabalho remoto que perdurem indefinidamente (colaboradores do grupo, clientes, corretores, fornecedores, etc.) ;

– nas operações resultantes de restrições de viagem e redução do consumo e de despesas com casas novas ou automóveis novos, o que poderia reduzir a procura de seguros;

aumento dos sinistros relacionados com a responsabilidade geral, interrupção de negócios, cobertura e cancelamento de eventos e,

– eventuais perturbações nos mercados financeiros que resultem na depreciação de ativos da carteira de investimento do grupo.

No entanto, caso se assista a um aumento acentuado no número de novos contágios por covid-19 num número alargado de países ou regiões, ou “prolongamento da pandemia, poderiam ter efeito económico adverso para a companhia”, termina o comunicado.

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