BRANDS' ECOSEGUROS Apólices com história

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  • 6 Maio 2020

Gonçalo Baptista, diretor-geral da Innovarisk, fala da Lloyd’s e de como a sua história se liga à história do mundo, muito por culpa de ter estado sempre na vanguarda dos seguros.

Há qualquer coisa especial em Lloyd’s. Desde que em 1686 Edward Lloyd começou o mercado de seguros na sua Lloyd’s Coffee House, em Tower Street, poucas entidades terão estado tão ligadas à história do mundo.

A história dos direitos humanos, no comércio naval e de escravos e o papel dos tribunais a julgarem esses casos, na altura sobre mera mercadoria quando mercadores mandavam fora a “carga” doente, assassinando os escravos. Ou o apoio ao boicote dos transportes públicos em 1955, nos protestos no Alabama contra a discriminação racial. A história dos grandes desastres como o papel na reconstrução de São Francisco após o enorme sismo de 1906. O desastre do Titanic e de tantos outros navios de grande porte. Os atentados terroristas do I.R.A. e o 11 de setembro, ainda o maior evento em perdas da Indústria Seguradora (que se antecipa agora passar a ser o Covid-19). A construção com amianto e os problemas que destapa várias décadas mais tarde. A história do cinema, música e dança, artes plásticas, literatura, da política, do desporto e dos desportistas. Em poucos locais do mundo encontraremos tantos documentos tão relevantes e até confidenciais sobre a história mais recente do universo.

"Se quero segurar uma nave espacial ou um negócio de biliões preciso de várias seguradoras, não apenas de uma.”

Lloyd’s sempre esteve na vanguarda dos seguros e daí que a sua história esteja tão umbilicalmente ligada à história do mundo, que se faz de mudanças, novidades, assunção de riscos. Que outra entidade no mundo seguraria o risco de uma plateia de teatro morrer de riso? Ou um grão de arroz com os retratos da rainha e do Duque de Edimburgo? Corpos inteiros, mãos, dedos, cabelos, narizes, olhos e estrabismo, pernas, sorrisos, vozes, pupilas gustativas, e mesmo até… sim… adivinhou, não preciso de escrever. Tudo o que é e foi gente famosa desde o século XX e que quis segurar o seu extraordinário talento ou ofício por lá passou. Em Lloyd’s sempre houve uma cultura de inovação e o mundo evolui por inovação, não por continuidade.

Há então aqui dois aspetos sempre de mãos dadas: a inovação como necessidade de evolução. Se quer inovar e expor-se ao desconhecido, procure então uma seguradora que se sinta confortável nesse papel. Há poucas e Lloyd’s tem, nessa área, um currículo inigualável. Porquê? Em parte, pela facilidade de partilha do risco. Lloyd’s na verdade não é uma seguradora, embora opere como tal. É um mercado, que reúne quase uma centena de grupos seguradores, no mesmo edifício, operando com as mesmas licenças e com a mesma robustez financeira.

"O caminho da descentralização é um desafio, que comporta riscos e traz, por vezes, dissabores, mas é decisivo para que a necessidade do consumidor passe para o segurador. ”

Se quero segurar uma nave espacial ou um negócio de biliões preciso de várias seguradoras, não apenas de uma. Em Lloyd’s este processo está muito facilitado do ponto de vista legal e operativo. Em segundo lugar pela descentralização. Lloyd’s soube, como ninguém, onde verdadeiramente acrescenta valor – no capital e no conhecimento técnico. E soube deixar boa parte das operações, venda e marketing, o conhecimento local dos vários países e várias culturas, na mão de terceiros – distribuidores autorizados e selecionados com elevados padrões de exigência.

O caminho da descentralização é um desafio, que comporta riscos e traz, por vezes, dissabores, mas é decisivo para que a necessidade do consumidor passe para o segurador. Especializando também a distribuição, conseguimos que toda a cadeia fale a mesma linguagem: segurador, distribuidor e consumidor.

Para segurar as cordas vocais da Whitney Houston, as pernas da Tina Turner ou os dedos do Keith Richard, tenho que compreender quais os parâmetros que são importantes. Para segurar a retirada de circulação de milhares de veículos, tenho de conhecer os motivos, como se faz e até, idealmente, auxiliar no processo. Para segurar uma instalação de arte contemporânea, tenho de compreender que riscos realmente afetam o valor financeiro da criação artística e quais são, ao invés, substituíveis. Um segurador generalista só por acaso tem alguém que compreende todos estes problemas e que sabe como transpô-los para um contrato de seguro.

Se não nos queremos acomodar, evoluindo, há uma casa que acolhe a abraça esse inconformismo há quase 350 anos. É composta por várias seguradoras e distribuidores que trabalham todos os dias para compreender a evolução do mundo, na árdua tarefa de reduzi-la a um contrato de seguro.

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