TAEG do crédito à habitação acima da Zona Euro devido a outros encargos cobrados pelos bancos

  • Lusa
  • 6 Maio 2020

Supervisor concluiu que o crédito da casa é mais caro em Portugal do que nos outros países da Zona Euro devido a outros encargos cobrados pelos bancos. Sem esse fator, a taxa até seria mais baixa.

A taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) do crédito à habitação era, no final de 2019, mais elevada do que a da zona euro, segundo o Banco de Portugal, que relaciona com outros encargos cobrados pelos bancos.

O Boletim Económico do Banco de Portugal, divulgado esta quarta-feira, inclui uma caixa sobre as taxas de juro dos empréstimos à habitação, referindo o banco central que, “no final de 2019, a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) a novos empréstimos bancários para aquisição de habitação em Portugal continuou a ser mais elevada do que no conjunto da área do euro e próxima da verificada em Espanha, apesar da trajetória descendente observada nos últimos anos”.

O banco central considera que um dos fatores que explicam essa tendência é “o nível mais elevado em Portugal dos outros encargos que não juros“, acrescentando que, “no entanto, se têm mantido relativamente estáveis”.

Se esse fator for excluído, acrescenta o também regulador e supervisor bancário, a taxa de juro dos novos empréstimos à habitação tem-se reduzido, mesmo para um nível inferior ao da maioria dos países da zona euro, incluindo Espanha.

O Banco de Portugal relaciona a redução das taxas de juro com vários fatores, como o facto de em Portugal haver maior peso de empréstimos com taxas de juro com períodos de fixação curtos.

Além disso, acrescenta, “mesmo para o período de fixação dominante em Portugal (menor do que um ano), as taxas de juro situam-se em níveis mais reduzidos em Portugal do que noutras jurisdições com um elevado peso dos empréstimos com este período de fixação, o que ocorre também face a Espanha”.

O Banco de Portugal considera ainda que outra explicação para a redução das taxas de juro pode ser por haver em Portugal maior transmissão da política monetária às taxas de juro do crédito devido ao facto de as taxas de juro dos depósitos estarem acima do limite de zero.

Refere ainda que também a concorrência e as comissões bancárias poderão “desempenhar um papel relevante na descida das taxas portuguesas”.

A taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) mede o custo total do empréstimo para o cliente em percentagem do montante emprestado, sendo essa o resultado da soma da taxa de juro anual nominal com outros encargos (como comissões, seguros, despesas impostos ou emolumentos).

A TAEG é usada para comparar propostas de crédito com o mesmo montante, prazo e modalidade de reembolso.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

TAEG do crédito à habitação acima da Zona Euro devido a outros encargos cobrados pelos bancos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião