APS explica como a Covid-19 começa a quebrar vendas de seguros

  • ECO Seguros
  • 21 Maio 2020

Associação das seguradoras prevê que a baixa na produção de seguros Não Vida, que inclui automóvel e acidentes de trabalho, vai intensificar-se ao longo do ano. Em Vida nada de novo, nem de bom.

“No segmento Não Vida, que tradicionalmente apresenta uma forte correlação com o nível de atividade económica, o volume de produção começa já a refletir os primeiros impactos da diminuição do nível de atividade económica resultante do surto de Covid-19, reflexo este que, no entanto, se intensificará mais ao longo dos próximos meses”, afirma fonte da APS – Associação Portuguesa de Seguradores, presidida por José Galamba de Oliveira, comentando a ECOseguros os dados da produção de seguros em abril, primeiro mês completo de crise pandémica.

Evolução da produção de seguro direto até abril de 2020

Fonte: APS “INDICADORES DE GESTÃO – PRODUÇÃO EMITIDA DE SEGURO DIRETO – 2020.04”

A APS, que optou por realizar a sua análise comparando o primeiro quadrimestre de 2020 com o de 2019, considera prematuro tirar conclusões fundamentadas com base na informação da produção acumulada até abril que aponta para uma quebra global (ramos Vida e Não Vida) de quase 28% quando comparada com a produção acumulada do período homólogo de 2019. Afirma ser “mais prudente aguardar pelas evoluções que venham a ser observadas durante os próximos meses, senão mesmo até ao final do ano”.

Ramos Não Vida: Consequências serão sentidas ao longo do ano

No que respeita ao segmento Não Vida, a APS refere que tradicionalmente apresenta uma forte correlação com o nível de atividade económica, adiantando que “o volume de produção começa já a refletir os primeiros impactos da diminuição do nível de atividade económica resultante do surto de Covid-19, reflexo este que se intensificará mais ao longo dos próximos meses”.

A associação afirma que “comparando o crescimento dos prémios do segmento até fevereiro (+7,3%) com o crescimento observado até final de abril (+6,1%), se pode já identificar uma tendência de desaceleração global dos prémios do segmento Não Vida face ao que havia sido observado no período anterior ao surto de Covid-19.

Segundo a APS esta desaceleração é praticamente transversal a todo segmento, mas é mais evidente no ramo Acidentes de Trabalho (que passou de +14,7%, em fevereiro, para 7,8% em abril) e no ramo Automóvel (que passou de 6,7% para 5,3%).

Pela positiva, a associação destaca o dinamismo dos seguros de Saúde e Multirriscos Habitação que “contrariam a tendência de desaceleração e, mesmo nas atuais circunstâncias, estão em abril a crescer a um ritmo superior ao de fevereiro, refletindo certamente a crescente preocupação dos cidadãos em protegerem a sua saúde e a sua habitação”, conclui.

No entanto a APS afirma ser difícil aferir os impactos num tão curto espaço de tempo, cerca de mês e meio, desde que os efeitos do surto se começaram verdadeiramente a sentir na economia real, ou seja, desde que foi declarado o estado de emergência e desde que começaram a ser implementadas medidas de mitigação da propagação do vírus, nomeadamente medidas de distanciamento e isolamento social.

A APS indica as razões para ser prudente na escala dos impactos:

  • Nem todos os contratos de seguro implicam pagamentos mensais, existindo outras formas de fracionamento dos prémios (nomeadamente, anuais e trimestrais) que podem ter um claro impacto na forma como o volume de prémios se distribui ao longo do ano;
  • No caso dos seguros com pagamentos anuais, existe uma tradição enraizada, em certos ramos Não Vida, de fazer coincidir o vencimento do prémio com o início do ano civil;
  • Os efeitos de quaisquer medidas tendentes à redução (e/ou estorno) do prémio, seja por iniciativa do tomador, seja por iniciativa das próprias companhias de seguros, levam o seu tempo a ser processadas a nível administrativo e muito dificilmente estarão já completamente refletidas nos números de final de abril;
  • Existem diversos procedimentos no que respeita à emissão e ao pagamento do prémio (através de mediadores, por débito direto, …) que podem também ter impacto na tempestividade de como os prémios são contabilizados pelas diferentes empresas de seguros;
  • Algumas medidas tornadas públicas por várias seguradoras não têm impacto imediato na produção, mas sim reflexo nos prémios da anuidade seguinte.
  • As possíveis reduções valor dos prémios, por lei que entrou em vigor apenas a 13 de maio, não teve, obviamente, impactos nos números de abril.

A APS considera que está perante “duas realidades distintas quando analisamos o segmento Vida e o segmento Não Vida”.

Ramo Vida: A culpa não é da Covid-19

No caso do segmento Vida, a redução homóloga de mais de 50% da produção acumulada até finais de abril mantém o perfil evolutivo que vinha sendo registado desde o início do ano. “Note-se que, até ao final de fevereiro, último mês antes de irromper o surto de COVID-19 em Portugal, o decréscimo homólogo era já de quase 41%” confirma a APS, acentuando que a tendência já foi observada em 2019, que terminou com uma quebra acumulada da produção deste segmento na ordem dos 14%.

A APS adianta os motivos desta quebra:

  • Baixa taxa de poupança dos portugueses;
  • Falta de estímulos a essa poupança;
  • Efeitos do ambiente prolongado de baixas taxas de juro na atratividade dos produtos que podem ser oferecidos pelas empresas de seguros.
  • Impactos derivados do surto de Covid-19, quer no rendimento disponível das famílias, quer na rentabilidade e volatilidade observadas nos mercados financeiros, podem estar a ampliar ligeiramente os outros efeitos.

Terminando a nota enviada a ECOseguros, a APS insiste em que se “torna evidente que os indicadores de abril não permitem ainda retirar conclusões definitivas sobre os impactos do surto de Covid-19 na produção global do setor segurador” reforçando que a “análise do impacto desta crise terá necessariamente de ser efetuada com base num período mais alargado”.

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