BRANDS' ECOSEGUROS Riscos e desafios para os gestores pós-pandemia

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  • 12 Junho 2020

Ricardo Azevedo, diretor técnico da Innovarisk, fala do risco a que diretores e gestores estão sujeitos face à pressão da conjuntura.

Ambientes estáveis e prósperos são metas que tentamos alcançar nas nossas vidas e que interessam também, na maioria das vezes, a quem está à frente das empresas. Ainda que friamente aceitemos que os imprevistos sejam a parte integrante dos desafios, que são por sua vez o sal e a pimenta da vida, é difícil encontrar por aí alguém que não valorize a paz de espírito de poder trabalhar para chegar aos seus objetivos num contexto de alguma tranquilidade e saúde financeira. Na escalada de uma montanha é sempre preferível ter à mão o mapa do terreno e possuir bom equipamento do que andar a vaguear de forma impreparada.

O ano de 2020 não está certamente a ser o que os gestores anteciparam que fosse. Muitos acabaram por ver as suas projeções de crescimento e sucesso, traçadas num contexto muito diferente, ficar seriamente comprometidas. Aqueles que já viviam algumas dificuldades viram a sua situação a agravar-se. Em qualquer um dos casos, as expectativas goram-se, há menos conforto, menos margem para errar.

Pessoas em redor que possam ter interesse na vida e na saúde financeira da empresa começam a ficar mais desconfiadas e menos tolerantes. A pressão aumenta, as decisões são mais facilmente postas em causa e o ambiente deteriora-se. Diz-nos a sabedoria do provérbio popular que “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.

"Aqueles que possam vir a sentir-se prejudicados pelas más decisões dos gestores de empresas (…) vão provavelmente querer exercer os seus direitos, o que pode significar avançar para uma reclamação judicial contra a empresa, diretores e administradores.”

Ricardo Azevedo

Diretor Técnico Innovarisk

Na prática, nos últimos meses muitos diretores e gestores de empresas, perante maiores dificuldades financeiras, passaram a estar mais em risco. Não só porque há um maior escrutínio e pressão dos acionistas em relação à qualidade das suas decisões, como essas próprias decisões estão a ser tomadas num ambiente muito agreste, de retração da procura, de incerteza, de alterações legislativas que mudam a alta velocidade, da indisponibilidade muitas vezes de recursos de apoio que permitam executar as ações com a qualidade e certeza de outrora. Ainda para mais, muitas vezes a ter que fazer opções entre questões de saúde e sobrevivência financeira.

Em última instância, e mesmo num clima extraordinário em que as dificuldades comuns trazidas pela pandemia conseguiram provocar momentos de união entre pessoas e organizações a que poucas vezes assistimos, é de esperar que cada parte defenda a sua posição. Por outras palavras, aqueles que possam vir a sentir-se prejudicados pelas más decisões dos gestores de empresas, sejam acionistas, trabalhadores, o Estado ou outros terceiros da sociedade civil, vão provavelmente querer exercer os seus direitos, o que pode significar avançar para uma reclamação judicial contra a empresa, diretores e administradores.

Ter falhado na construção de bases sólidas para a empresa, ter descurado um plano de contingência à altura, não ter salvaguardado devidamente a saúde dos colaboradores, não ter reclamado um apoio do Estado a que se tinha direito, são meros exemplos de falhas que podem ser apontadas a quem neste momento está a escalar montanhas no meio de uma tempestade de neve e sem mapa, mas em relação às quais se podem vir a ter que defender um dia em tribunal.

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