Seguradoras pagaram menos 104 milhões por sinistros em maio

  • ECO Seguros
  • 7 Julho 2020

Os efeitos Covid-19 na quebra de atividade começam a ficar visíveis em menos sinistros. Em relação a maio de 2019 os custos das queixas ao setor segurador baixaram 15%.

As seguradoras a operar em Portugal pagaram menos 104 milhões de euros de indemnizações por sinistros, revela relatório divulgado pela APS – Associação Portuguesa de Seguradores, agora divulgado. Só em acidentes de trabalho e automóvel a sinistralidade baixou 25% em maio relativamente a igual mês do ano passado.

No total as seguradoras pagaram 3,7 mil milhões de euros aos segurados nos cinco primeiros meses deste ano, um valor 1,3% superior ao de igual período do ano passado. No entanto, em maio deste ano foram devolvidos aos segurados 570 milhões de euros, quando em 2019, por esta altura, tinham sido pagos 674,5 milhões de euros a sinistrados.

Foi o primeiro período, maio 2020 comparando com maio 2019, em que realmente se constataram os efeitos do confinamento. Para além dos ramos acidentes de trabalho e automóvel que em conjunto significaram menos 40 milhões de euros de custos com sinistros, também se verificaram baixas de sinistralidade em multirriscos/incêndios empresariais (menos 65%), em transportes (-67%), em multirriscos habitação (-21%). No conjunto os ramos não Vida registaram menos 18,5% de valor de custos com sinistros neste mês.

O Ramo Vida também teve uma baixa significativa (-55 milhões de euros) no valor geral de sinistros. No entanto, o resgate de PPR, previsto sem penalizações em resposta à pandemia, aumentou 34% tendo sido resgatados num valor superior a 43 milhões de euros face a maio de 2019.

Primeiros meses do ano ainda penalizam seguradoras

O ano de 2020 teve um momento de subida normal de sinistralidade até março. Só em abril e maio se fizeram sentir os efeitos da pandemia na vida das famílias e das empresas. Daí que analisando a sinistralidade acumulada desde o início deste ano até maio face a igual período do ano passado, a sinistralidade continua num valor 1,3% superior. O ramo Vida teve um aumento de sinistralidade de 4,2% quase compensado pela baixa 4,3% dos ramos Não Vida.

Em termos acumulados de janeiro a maio, o indicador taxa de sinistralidade, que compara custos com sinistros (valores de indemnizações ou resgates) e os prémios brutos emitidos (receitas das seguradoras), tem melhorias para as seguradoras.

A taxa de sinistralidade desde o princípio do ano também apresenta naturais melhorias, no entanto sem efeitos drásticos nos ramos mais significativos em volume de negócios. Em Não Vida a taxa de sinistralidade baixou de 62,7% em 2019 para 57,1% em 2020. Em acidentes de Trabalho as taxas foram de 77,5% e 67,6% e em automóvel 67,5% e 56,4% respetivamente.

Note-se que para apurar o resultado técnico terá de se adicionar à sinistralidade, as despesas das seguradoras com a gestão de cada um dos ramos. Daí que menor sinistralidade significa sempre melhores resultados técnicos para as companhias, mas podem não significar rentabilidade positiva. Tudo depende das despesas para apurar o lucro ou prejuízo técnico de cada ramo.

Quer a ASF, quer a APS têm alertado para a provável existência de um efeito de recuperação da sinistralidade nos próximos meses pelo que só no final deste ano se poderá quantificar com rigor qual foi o efeito da pandemia nos custos com sinistros do setor segurador.

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