Estado chinês assume controlo de quatro seguradoras

  • ECO Seguros
  • 21 Julho 2020

Um total de nove entidades intervencionadas, entre seguradoras, sociedades de corretagem e fiduciárias (trusts) são afiliadas da Tomorrow Holdings, ligada a um multimilionário desaparecido em 2017.

O organismo regulador de banca e seguros (CBIRC – China Banking and Insurance Regulatory Commission) assumiu a tomada de controlo das seguradoras justificando a atuação com a necessidade de conter risco financeiro sistémico e em defesa dos tomadores de seguros e do interesse público em geral.

Na base da intervenção, que supõe a assunção de controlo efetivo das empresas pelo período de um ano (prorrogável), estarão irregularidades comerciais detetadas em operações de gestão e aquisição por empresas de seguros como a TianAn Property Insurance, a Huaxia Life Insurance, a TianAn Life e a Yan Insurance, além das fiduciárias New Times Trust e a New China Trust.

Segundo dispõe a comunicação da CBIRC sobre o takeover, nos termos da lei, as entidades intervencionadas e respetivas atividades serão agora confiadas a entidades de custódia a serem constituídas pela China Pacific Property Insurance, China Life Industry Investment, New China Life Insurance Company, PICC Property and Casualty, CITIC Trust, Bank of Communications International Trust, e que serão depositárias dos ativos agora colocados na órbita do Estado.

Quando estiver concluída a transferência da gestão para a nova custódia, as companhias intervencionadas irão continuar a operar num contexto business as usual mantendo-se inalteradas as relações e responsabilidades credor-devedor face a terceiros, esclarece a CBIRC, entidade sob alçada do banco central, por sua vez sob comando do Conselho de Estado da República Popular.

Já o regulador do mercado de capitais (CSRC – China Securities Regulatory Commission) assumiu o controlo da New Times Securities, Guosheng Securities e da Guoshen Futures, todas ligadas ao mesmo grupo Tomorrow, desta feita sob acusação de ocultação e prestação de informação falsa a acionistas, entre outras violações de regulamentos do mercado de valores mobiliários.

No final de 2019, os ativos combinados das nove empresas intervencionadas somavam 1,2 biliões de yuan (cerca de 150 mil milhões de euros ao câmbio atual). Meios locais de informação financeira refere que, só a Huaxia Life Insurance contabilizava perto de metade do ativo total estimado para o conjunto.

O Tomorrow Holdings Group, a que também está ligado um banco intervencionado em maio de 2019 (Baoshang Bank), surgiu nos anos noventa (período de abertura da economia chinesa) e investiu fundamentalmente em serviços financeiros utilizando entidades de fachada para dispersar e controlar muitos dos seus ativos, reporta a imprensa.

Atualmente em processo de desmantelamento pelas autoridades chinesas, o Tomorrow Group foi, durante mais de duas décadas, liderado pelo fundador Xiao Jianhua, entretanto tornado financeiro multimilionário e a quem são atribuídas antigas ligações e influência junto do Partido Comunista chinês na época.

O empresário continua desaparecido em circunstâncias ainda incertas, desde 2017, quando foi visto pela última vez num hotel de luxo em Hong Kong. O grupo mantém-se entre os conglomerados sob forte escrutínio das autoridades chinesas, prosseguindo ainda investigações sobre as atividades e negócios de Xiao.

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