Moody’s antecipa que défice de Portugal atinja 9,2% em 2020

Num relatório divulgado esta quarta-feira, a agência de notação financeira alerta para o elevado endividamento de Portugal, que limita a capacidade de absorção de choques do país.

A Moody’s antecipa que o défice de Portugal dispare para 9,2% do PIB este ano e baixe apenas até aos 4,8% no próximo. A estimativa, divulgada esta quarta-feira pela agência de rating, é mais pessimista que a do Governo, que aponta para que o saldo negativo nas contas públicas em 2020 seja de 7%.

“A atividade económica mais lenta e as medidas orçamentais do Governo, em resposta à crise do coronavírus, vão ter um significativo impacto negativo nas finanças públicas de Portugal“, alerta a agência de notação financeira norte-americana. Além do buraco nas contas públicas, o rácio do défice será penalizado pelo tombo no PIB, que a Moody’s estima que contraia 9,5% (muito superior aos 6,9% projetados pelo Governo).

Para fazer face a este défice, Portugal está a reforçar a procura por financiamento em mercado, sendo que o Executivo antecipa que a dívida pública dispare para o recorde de 134,4% do PIB. A Moody’s não faz uma estimativa, mas avisa para o impacto do pesado endividamento público.

O principal desafio para o rating de Portugal é o muito elevado peso da dívida, que limita a capacidade de o país absorver futuros choques“, diz Sarah Carlson, vice-presidente sénior da Moody’s e autora do relatório. “O nível de capacidade do Governo de gerir as crescentes pressões na despesa pública relacionadas com o surto de coronavírus e a capacidade de reduzir dívida vão continuar como um fator chave”.

O relatório é divulgado quase duas semanas depois de a Moody’s ter decidido não se pronunciar sobre Portugal. A agência de notação financeira tinha uma avaliação para dia 17 de julho, mas não publicou qualquer relatório. Assim, o rating de Portugal manteve-se em Baa3 com perspetiva “positiva”. Esta é, aliás, a única das maiores agências de notação financeira a atribuir a Portugal um outlook de rating positivo.

O rating de Portugal poderá ser revisto em alta caso a Moody’s conclua que, após o choque da pandemia, o Governo de António Costa continua no caminho da consolidação orçamental e crescimento económico “necessários para que haja uma diminuição material e sustentável do peso da dívida nos próximos anos”.

Em sentido contrário, tanto o outlook como o próprio rating poderão ser revistos em baixa se as pressões na despesa pública comprometerem a consolidação orçamental e a redução da dívida, ou ainda se o Executivo perder apoio político para implementar “políticas orçamentais prudentes”.

(Notícia atualizada às 10h20)

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