CCP junta-se a críticas sobre pouco dinheiro para as empresas no Plano de Recuperação

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal aponta o dedo ao valor atribuído aos projetos empresariais no plano de recuperação. Salienta também o pouco destaque dado aos serviços.

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) junta-se ao coro de críticas, nomeadamente dos partidos de direita, ao valor atribuído para as empresas no Plano de Recuperação e Resiliência. Para além disso, a confederação destaca também o “lugar aparentemente residual” que os serviços recebem neste documento.

Uma das preocupações da CCP é então o “diminuto montante financeiro a afetar a projetos empresariais, que surgem apenas contemplados, de forma direta, na área “potencial produtivo”, inscrita no bloco “resiliência”, e na área “empresas 4.0”, na “transição digital”, e que são de, respetivamente, 2.500 milhões (15% do total dos apoios) e 500 milhões (3.8% daquele total)”, sinaliza, em comunicado.

Desta forma, “menos de um quarto do total das subvenções previstas são alocados às empresas, o que considerando o papel determinante destas na recuperação da economia, se afigura ser uma distribuição muito pouco equilibrada”, defende a confederação.

Outro problema identificado pela confederação presidida por João Vieira Lopes é o lugar aparentemente residual que é atribuído aos serviços (numa mistura de cultura, serviços, comércio e turismo)”. Estes são apenas contemplados no último eixo da Visão Estratégica delineada por António Costa Silva, enquanto não figuram de todo na área da “competitividade e coesão territorial”, aponta.

“Sendo a política de cidade um elemento essencial da coesão territorial e da competitividade das regiões, esta omissão, que se projeta na ausência dos setores de serviços já referidos, é uma falha grave do documento apresentado que esperamos possa ser corrigida”, argumenta a CCP.

A CCP argumenta ainda que, devido ao tempo de concretização exigido para os grandes projetos públicos de infraestruturas, são feitas “escolhas menos ponderadas e assentes numa avaliação prospetiva menos fundamentada”. Nos projetos empresariais, a opção de privilegiar as empresas de maior dimensão e com maior capacidade concretizadora não tem em conta “o efeito acumulado das ações a apoiar”, nem o facto de as pequenas e médias empresas representarem “mais de 99% das empresas existentes no país”.

Ainda assim, a confederação aponta que o documento que o Executivo apresentou aos parceiros apenas contempla um “conjunto de quadros muito esquemáticos e que se limitam a identificar um conjunto de áreas a contemplar”. Na semana passada, o Governo já convocou os parceiros sociais para uma reunião de concertação na quarta-feira, para discutir o Plano.

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