“Se surgir, de certeza que vamos olhar” para a possibilidade de fusão entre BCP e Montepio, diz Miguel Maya

O CEO do banco garante que não houve quaisquer contactos com o Ministério das Finanças sobre o Montepio, mas não rejeita que venha a analisar a operação.

O BCP não está a negociar uma fusão com o Montepio, mas poderá vir a analisar a operação caso se justifique, segundo explicou o CEO Miguel Maya. O gestor deixou assim a porta aberta a uma possível negociação, apesar de ter negado qualquer contacto com o Ministério das Finanças, referindo-se a uma reunião com o ministro João Leão, que foi noticiada pelo Expresso este fim de semana.

“Estamos tranquilos com a nossa estratégia. Agora, houver operações que justifiquem que o banco as analise com rigor, assim faremos. Não estabelecemos nenhuns contactos com o Ministério das Finanças sobre o tema do Montepio nem estamos a analisar nenhuma operação com o Montepio. Se vier a surgir, de certeza que vamos olhar“, disse Miguel Maya, em declarações aos jornalistas à margem de uma conferência em Lisboa.

O gestor lembrou que a estratégia do banco é focada no crescimento orgânico do negócio em Portugal. “Não mudamos uma vírgula nesse propósito. Nós vamos crescer em Portugal, como temos vindo a crescer, organicamente”, afirmou, defendendo que a “proteção do balanço é uma absoluta prioridade” em tempos de pandemia.

Mas também garante que qualquer operação de consolidação é suscetível de ser alvo de análise. “Como gestor, tenho obrigação de olhar para todas as operações que possam ser colocadas em mercado“. Maya não quis adiantar mais sobre o Montepio até porque teria de analisar as condições do negócio.

Já sobre as razões para a possibilidade ter sequer sido levantada, o gestor considerou que poderá estar relacionado com o Banco Central Europeu (BCE) falar sobre a concentração bancária esta estar a verificar-se em Espanha, mas também com a recuperação do banco após a última crise financeira. A consolidação “está muito na moda” e o BCP tem capacidade para o fazer”, disse.

“Sempre disse que se houvesse operações no mercado, o BCP — que hoje tem uma capacidade financeira completamente diferente da que tinha há uns anos — vai olhar para essas operações e, naturalmente, tomará a sua decisão a seu tempo. Que eu saiba, não está nenhuma operação dessas no mercado”, acrescentou Miguel Maya.

(Notícia atualizada às 15h45)

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