Proteção dos investidores leva China a suspender entrada em bolsa do Ant Group

  • Lusa
  • 4 Novembro 2020

Suspensão do IPO destacou a "seriedade do mercado e manda uma mensagem clara" sobre as regras, que devem ser "respeitadas e reverenciadas por todos os participantes".

O regulador do mercado de capitais da China suspendeu a entrada em bolsa do Ant Group para “proteger os investidores” e por um “desenvolvimento saudável a longo prazo” do mercado financeiro.

O jornal estatal Economic Daily afirmou que a decisão das autoridades de suspender a que seria a maior entrada em bolsa de sempre seguiu os princípios da “transparência, imparcialidade e justiça”.

A suspensão destacou a “seriedade do mercado e manda uma mensagem clara” sobre as regras, que devem ser “respeitadas e reverenciadas por todos os participantes”.

“Não pode haver exceção”, acrescentou o jornal, argumentando que “apenas quando os direitos e os interesses legítimos dos investidores são protegidos, as empresas listadas podem obter apoio”.

O Economic Daily lembrou que o sistema chinês de licenciamento para entrada em bolsa estipula que os reguladores devem supervisionar todas as etapas do processo, durante o qual as empresas “são obrigadas a (…) aumentar a transparência”.

“As empresas em questão devem dar o exemplo ao manterem as suas operações de acordo com a legislação, prevenção de riscos e responsabilidade social”, indicou o jornal.

O diário referiu ainda os “interesses vitais de milhões de acionistas” na estrutura do grupo.

A bolsa de valores de Xangai suspendeu a entrada em bolsa do Ant Group, que estava programada para quinta-feira, depois de os reguladores chineses terem convocado os executivos da empresa para uma reunião.

O Banco do Povo da China (banco central), a Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China, a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários e a Administração Estatal de Câmbio informaram terem realizado “entrevistas regulatórias” com os executivos da empresa, mas não avançou mais detalhes.

A bolsa citou mudanças no ambiente regulatório da tecnologia financeira (‘fintech’), um dia depois de os reguladores terem reunido com o fundador, Jack Ma, que criou o gigante Alibaba, o presidente do Conselho de Administração, Eric Jing, e o diretor da empresa, Hu Xiaoming.

“Estas mudanças podem fazer com que a sua empresa deixe de estar apta a cumprir com as condições de emissão e listagem ou os requisitos de divulgação de informações”, disse o operador do mercado de ações, num comunicado dirigido ao Ant Group.

As ações do Ant Group deviam começar a ser negociadas em Hong Kong e Xangai na quinta-feira, 05 de novembro, com a expectativa de arrecadar pelo menos 34,5 mil milhões de dólares (29,4 mil milhões de euros).

Entre as novas regulações estão os limites ao uso de títulos garantidos por ativos para financiar empréstimos ao consumidor, novos requisitos de capital ou limites nas taxas de empréstimos.

Na segunda-feira, o banco central aumentou a exigência de capital registado para credores como o Ant para um mínimo de cinco mil milhões de yuan (640 milhões de euros).

O Ant Group opera a Alipay, a maior e mais valiosa empresa de tecnologia financeira (‘fintech’) do mundo e uma das duas carteiras digitais dominantes na China, país onde o dinheiro físico praticamente desapareceu.

Jack Ma fundou o gigante do comércio eletrónico Alibaba em 1999. O Alipay foi introduzido como método de pagamento, para aumentar a confiança dos utilizadores na plataforma.

Ma foi convocado pelos reguladores poucos dias depois de ter afirmado que os regulamentos financeiros estão desatualizados, referindo-se aos acordos de supervisão bancária de Basileia como obra de um “clube de velhos”. Ao mesmo tempo, questionou se o sistema financeiro chinês se deve submeter a esses regulamentos.

“Os acordos de Basileia são usados para tratar as doenças de um sistema bancário envelhecido, são remédios para idosos (…), mas o sistema bancário chinês é jovem”, disse, citado pela imprensa local.

O empresário defendeu que a China precisa de canais de financiamento alternativos, além dos grandes bancos estatais, fortemente dominantes no país.

“Os grandes bancos são como rios, mas precisamos de lagoas, riachos e canais no sistema. Sem eles, vai haver sempre enchentes ou secas”, descreveu.

Ma garantiu que os bancos tradicionais funcionam como “casas de penhores” e garantiu que as futuras decisões de crédito terão que ser feitas por meio de ‘big data’ (análise maciça de dados) e históricos de crédito, em vez de solicitar grandes garantias para conceder empréstimos, ao mesmo tempo que criticou a excessiva burocracia do sistema financeiro chinês.

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